Com bastante história e tradição no cenário nacional, o futebol do interior paulista pode aumentar a sua galeria de troféus com duas conquistas importantes neste sábado (20), sendo uma delas inédita a nível continental.
Campeão paulista de 1990 e vice-campeão brasileiro em 1991, o Bragantino pode conquistar o maior título de sua história quase centenária, se derrotar o Athletico-PR na tarde deste sábado (20), às 17h, em jogo único no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai, pela grande final da Copa Sul-Americana.
Até hoje, nenhum clube de futebol do interior de São Paulo conseguiu conquistar um troféu de expressão internacional. A campanha de maior destaque pertence à Ponte Preta, que chegou à decisão da Copa Sul-Americana em 2013, mas perdeu para o Lanús, da Argentina.
Em jogo simultâneo à decisão brasileira da Sul-Americana, o único time do interior bicampeão paulista, com títulos conquistados em 2002 e 2014, o Ituano agora também pode se tornar bicampeão brasileiro da Série C, em caso de vitória sobre o Tombense (MG), no estádio Novelli Júnior, em Itu.
Após empate por 1 a 1 no jogo de ida, disputado na semana passada, em Tombos, no interior de Minas Gerais, o Galo de Itu precisa de uma simples vitória dentro de casa sobre a equipe mineira para repetir o feito de 2003. Em caso de qualquer igualdade no placar, o troféu será decidido nos pênaltis.
Treinadores com passado campineiro
Técnico mais longevo da elite do futebol brasileiro na atualidade, o jovem Maurício Barbieri, de 40 anos, precisou de pouco mais de um ano no cargo para tirar o Red Bull Bragantino da luta contra o rebaixamento no último Campeonato Brasileiro e levá-lo à decisão da Copa Sul-Americana nesta temporada. A equipe de Bragança Paulista também está no G4 do Brasileirão e deve jogar a próxima Copa Libertadores da América.
Um dos principais expoentes da nova geração de técnicos brasileiros, Maurício Barbieri começou a carreira de treinador no futebol de Campinas, após se destacar como gerente do Audax Rio. Entre 2013 e 2016, ele dirigiu o Red Bull Brasil e levou a equipe da Série A-2 ao mata-mata do Campeonato Paulista, logo em sua estreia na competição em 2015, o que rendeu vagas na Copa do Brasil e na Série D.
Em 2017, Barbieri foi contratado pelo Guarani, mas teve passagem curta pelo Brinco de Ouro, com duração de apenas seis jogos. Depois disso, ele treinou Flamengo, Goiás, América-MG e CSA, antes de ser contratado pelo Red Bull Bragantino, em setembro do ano passado.

Ao mesmo tempo em que Maurício Barbieri tenta consagração internacional com o Bragantino, naquele que pode ser o primeiro troféu de sua curta e promissora carreira, o técnico campineiro Mazola Júnior, de 56 anos, busca coroar o trabalho à frente do Ituano com o título da Série C.
Sob o comando de Mazola Júnior, que chegou em junho deste ano, o Ituano conquistou o acesso à Série B com quatro vitórias, um empate e uma derrota no quadrangular final da Série C, em uma chave que tinha o Criciúma, que também subiu, além de Botafogo-PB e Paysandu. No outro grupo, as duas vagas ficaram com Tombense e Novorizontino, que ascenderam desbancando Manaus e Ypiranga.
Adversário na grande decisão da Série C, o Tombense foi o único time a vencer as três partidas como visitante no quadrangular final do campeonato, mas o Ituano conta com o apoio do torcedor para fazer valer o mando de campo e assim conquistar a vitória necessária para faturar o caneco.
“A presença do torcedor sempre é fundamental e muito importante nesses jogos decisivos, aliás em qualquer jogo. Eu penso que o futebol é feito pelo torcedor, principalmente dentro do estádio. Nós sofremos muito com a pandemia, praticamente dois anos sem torcida no estádio. Que a presença do torcedor seja maciça e realmente possa ser o nosso 12º jogador para fazer a diferença nesse jogo que promete ser muito equilibrado”, convocou Mazola Júnior, em contato com a reportagem do Hora Campinas.
Trajetória de Mazola

Atleta formado na equipe juvenil da Ponte Preta, com sequência nas categorias de base do São Paulo, entre os anos 70 e 80, Mazola Júnior atuou por poucos e modestos clubes profissionais no Brasil, antes de construir carreira no futebol português, onde pendurou as chuteiras nos anos 90 e iniciou a transição para treinador no início dos anos 2000, após período como auxiliar técnico de Marco Aurélio na Macaca, em 1996, entre outras equipes que o ídolo alvinegro dirigiu na época.
Com passagem relâmpago recente pela Ponte Preta, em 2019, Mazola Júnior busca o primeiro título nacional de sua carreira. Por mais que tenha conquistado acessos com Sport, Paysandu e agora Ituano, o único troféu que Mazola possui é o do Campeonato Alagoano, quando comandava o CRB, em 2016.
No futebol brasileiro, o primeiro trabalho de Mazola Júnior como treinador foi justamente no Ituano, comandando a equipe entre 2009 e 2010, período que coincidiu com o começo da transformação do clube sob a gestão de Juninho Paulista.
“O Ituano tem feito um grande trabalho nas categorias de base, com um investimento muito bom, além de melhorar bastante as condições de trabalho em relação à minha primeira passagem”, destacou Mazola Júnior.
“Muito tempo se passou e as coisas mudaram bastante no Ituano, mas ainda bem que foram para melhor. A reforma do Novelli para a Copa do Mundo e a conquista do título paulista, em 2014, realmente alavancaram o clube, e consequentemente a sua gestão, para outro patamar. Depois disso, o Ituano ainda foi campeão do interior”, aponta Mazola Júnior.
“Eu já trabalhei em grande clubes com modelos de gestão associativa e dirigentes estatutários, como é a grande maioria dos clubes brasileiros, que envolvem poderes políticos, grande movimento de torcedores e paixão muito exacerbada, então são duas situações bem diversas e antagônicas em relação à gestão de um clube de futebol. O Ituano é um clube extremamente organizado no aspecto administrativo, financeiro e profissional”, frisa Mazola Júnior.
Com a saída de Juninho Paulista para a CBF, convidado para ser coordenador da Seleção Brasileira, em 2019, o Ituano passou a ser administrado pelo gestor Paulo Silvestri, que deu continuidade ao processo de desenvolvimento do clube.
“O Paulo foi presidente da Mercedes e da Chrysler. É um executivo extremamente preparado para a gestão de uma empresa. Mesmo ainda não sendo um clube-empresa, o Ituano é gerido por um profissional especialista no assunto, então o clube realmente deu um salto muito grande nesses últimos anos, não só em termos de conquistas, como também em questão de estrutura e modelo de gestão”, salienta Mazola Júnior.
“Com o acesso à Série B e um calendário financeiro anual, a tendência é que o Ituano possa montar uma equipe muito forte já desde o começo do ano. Automaticamente, a expectativa é que faça um Paulistão muito mais forte, com muito mais ambição do que nos últimos anos, e que consiga chegar à Série B muito mais preparado do que estava neste ano para a Série C”, projeta Mazola Júnior.
“O Ituano viveu esses últimos anos com um problema sério de precisar desfazer quase toda a equipe após o Campeonato Paulista e remontar o time com reforços de divisões inferiores. Em relação ao ano que vem, a gente projeta o Ituano realmente em outro patamar. Em nenhum momento deste novo modelo de gestão, o clube teve a oportunidade de montar um grupo de jogadores para começar e terminar o ano”, pontua Mazola Júnior, que já participa do planejamento e da montagem do elenco para a próxima temporada, quando dará continuidade ao trabalho.







