O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) aprovou nesta semana o parecer favorável à abertura de estudo para o registro da obra do maestro Antônio Carlos Gomes como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade.
Com a decisão, terá início o processo de levantamento documental e técnico sobre o legado do compositor campineiro, considerado o maior nome da ópera brasileira e primeiro artista do país a ter obras apresentadas no Teatro Alla Scala, em Milão, na Itália — templo máximo da ópera mundial.
Após a conclusão dos estudos, será elaborado um parecer conclusivo, no qual o Conselho deliberará sobre o reconhecimento oficial da obra de Carlos Gomes como Patrimônio Cultural Imaterial de Campinas.
O estudo contará com a colaboração de instituições como o Arquivo Municipal de Campinas e o Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA), onde está localizado o Museu Carlos Gomes, detentor de um vasto acervo e parceiro da Unesco na inscrição da obra do maestro no Programa Memórias do Mundo (Memory of the World), em 2017. Esse reconhecimento internacional é equivalente a um título de Patrimônio da Humanidade.
A proposta apresentada ao Condepacc destacou a relevância histórica, cultural e simbólica do maestro para Campinas e para o Brasil. Filho de Manoel José Gomes, o “Maneco Músico”, responsável por formar gerações de instrumentistas na cidade ainda no período imperial, Carlos Gomes levou a música brasileira aos palcos mais prestigiados do mundo.

Talento e originalidade
Sua ópera O Guarani estreou em 1870 no Teatro Alla Scala com grande repercussão internacional, sendo seguida por outras produções como Fosca, Maria Tudor e Salvador Rosa, apresentadas em países da Europa e também nos Estados Unidos.
A crítica estrangeira da época reconheceu seu talento e a originalidade de suas composições. Jornais italianos, franceses, portugueses e americanos exaltaram a força dramática e a identidade brasileira presente em suas obras, consolidando Carlos Gomes como símbolo do Império e da cultura nacional no exterior.
Em Campinas, o maestro manteve vínculos com a família e com a cidade ao longo de sua vida, retornando em visitas que marcaram a memória local. Em 1870 e 1880, foi recebido com festas populares, cortejos e homenagens, tendo inclusive seu nome atribuído a logradouros públicos. Sua morte, em 1896, mobilizou uma multidão em Campinas, e seus restos mortais foram trasladados para o Monumento Carlos Gomes, localizado no Centro da cidade.
Ao longo do mês de setembro, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, em parceria com diversas entidades, promove o “Mês Carlos Gomes“, que reúne várias atividades sobre o legado do maestro.







