Quem passa pelo Centro de Campinas e, com olhar aguçado, encontrará verdadeiros tesouros da história e da arquitetura. Prédios imperiais, edifícios marcados pelo legado de famílias tradicionais e conjuntos que carregam o labor da expansão urbana campineira convivem harmoniosamente, apesar de faltar manutenção aqui e ali.
Mesmo com trechos degradados, a área central da cidade é um convite à leitura e releitura das gerações e das fases diversas do ordenamento de uma metrópole.
Um edifício que está na memória afetiva dos campineiros mais antigos e que, certamente, muitos jovens sequer ouviram falar acaba de ter seu processo de estudo de tombamento aprovado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc).
Trata-se da Galeria Trabulsi, no Centro de Campinas, com entradas tanto pela Rua Dr. Quirino como pela Barão de Jaguara.
O tombamento do edifício vertical em estilo Art Déco, inaugurado em 1948, foi sacramentado em reunião ordinária do Condepacc no dia 14 de novembro, sob ata número 543. A decisão do colegiado foi tornada pública no último dia 18 no Diário Oficial do Município. O processo é assinado pela presidente do Condepacc e secretária municipal de Turismo, Alexandra Caprioli.
FOTOS POR LEANDRO FERREIRA


Entenda o tombamento
Segundo o Condepacc, oO tombamento é um instrumento de proteção e reconhecimento do patrimônio cultural, que pode ser realizado pelo poder público para preservar bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e afetivo
O tombamento pode ser aplicado a bens móveis e imóveis, como edifícios, ruas, praças, bairros, livros, mobiliários, obras de arte, fotografias e utensílios. O objetivo é impedir que esses bens sejam destruídos ou descaracterizados.
O termo “tombamento” deriva da Torre do Tombo, no Castelo de São Jorge, em Lisboa, onde eram guardados os documentos que precisavam ser preservados.
Qualquer intervenção na Galeria Trabulsi, a partir de agora, precsará da obtenção de autorização do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc).
FOTOS POR LEANDRO FERREIRA



Verticalização do Centro
O site do núcleo regional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) explica que quando o prefeito Ruy Novaes assumiu a Prefeitura e intensificou a implantação do Plano de Melhoramentos Urbanos (1956 e 1959), o processo de verticalização na área central de Campinas já se encontrava consolidado.
A região contava, então, com um número significativo de edifícios comerciais e residenciais, valendo observar que a construção do Edifício Itatiaia demarcara uma mudança ao oferecer a famílias de alto poder aquisitivo apartamentos modernos com dimensões e programas compatíveis.
É neste contexto que nasce a Galeria Trabulsi (1948), construção de uso misto, e que se revelava capaz de reunir num mesmo espaço, atividades de comércio, moradia e serviços.
Segunda a página no Facebook do Campinas de Antigamente, o Bonde 11, que ligava o Centro ao Cemitério, tinha, inclusive, parada obrigatória na Galeria Trabulsi.
FOTOS POR LEANDRO FERREIRA

A história da Galeria Trabulsi
Segundo a página Eu Amo Campinas, também no Facebook, a Galeria Trabulsi foi fundada em 1948 pelos irmãos Alberto, Camilo e Michel Trabulsi, imigrantes libaneses, mas apenas com a entrada pela Barão de Jaguara.
Somente quatro anos mais tarde é que foi inaugurada a passagem para a Dr. Quirino. Ao longo do tempo, a Trabulsi se tornou um espaço comercial frequentado por consumidores de alto poder aquisitivo.
Havia agências de viagens, restaurantes finos e até a Charm, primeira butique de Campinas.
Na década passada, de acordo com reportagem assinada pelo jornalista Rogério Verzignasse, na coluna Baú de Histórias, do Correio Popular, havia 18 lojas e 50 salas comerciais distribuídas entre escritórios, salões de beleza, lanchonetes, lojas de roupas, bijuterias, artigos hospitalares, casa lotérica, ateliês de costura, artesanato, tatuagem entre outros.
O alfaiate Salvador Asta, referência em alta costura na Trabulsi, costurou até para o presidente Juscelino Kubistcheck.







