Após decisão da Câmara Municipal de Campinas pela continuidade da Comissão Processante (CP) contra o vereador Vini Oliveira (Cidadania), o processo entra agora em sua fase investigativa. A próxima etapa começa com a realização das oitivas — depoimentos formais de testemunhas — marcadas para os dias 12 e 17 de junho. A comissão pode, ao final dos trabalhos, recomendar inclusive a cassação do mandato do parlamentar.
A primeira reunião será no dia 12, próxima quinta-feira, das 9h às 14h, e contará com quatro oitivas. Nessa sessão, serão ouvidas a denunciante Daiane Copercini e três testemunhas de acusação. Já no dia 17 de junho, será a vez das testemunhas de defesa, encerrando com o próprio depoimento de Vini Oliveira.
“Essa etapa é fundamental para a investigação, uma vez que poderemos colher os testemunhos das pessoas diretamente envolvidas nos fatos que embasam a denúncia”, destacou a vereadora Mariana Conti (PSOL), presidenta da CP.
A denúncia foi apresentada por Daiane Copercini, médica do Hospital Mário Gatti, que acusa Vini Oliveira de ter agido de forma agressiva e desrespeitosa durante uma ação de “fiscalização” no hospital, no dia 1º de janeiro, primeiro dia de seu mandato.
Segundo ela, o vereador teria invadido consultórios, gravado pacientes e servidores sem autorização e feito acusações públicas contra profissionais da saúde.
Relembre o caso
Em 23 de maio, a Comissão Processante decidiu, por maioria, pela continuidade das investigações. O parecer preliminar foi apresentado pelo relator Nelson Hossri (PSD), que argumentou haver indícios suficientes para aprofundar a apuração.
Segundo Hossri, o caso apresenta “narrativa consistente, apoiada em provas documentais, audiovisuais e testemunhais”. O relator também alertou que o “uso desmedido e abusivo do poder de fiscalização pode prejudicar os serviços públicos essenciais”.
Já a defesa de Vini Oliveira pediu o imediato arquivamento da CP. Em documentos em que a imprensa teve acesso, o defensor argumenta que a Comissão teria vícios de origem, perseguição política e falta de isenção do relator, Nelson Hossri (PSD).
“O relator da Comissão Processante, vereador Nelson Hossri, ao se manifestar em entrevista pública antes mesmo do recebimento desta defesa, já declarou, de forma aberta, o seu posicionamento pela continuidade da investigação e condenação do acusado”, diz o texto. Em suas declarações, Hossri sustentou que todo o processo será analisado de forma “imparcial, republicana e justa”.
O único voto contrário à continuidade da investigação foi do vereador Nick Scheider (PL), que considerou frágeis os fundamentos da denúncia e defendeu que o caso fosse analisado pelo Conselho de Ética, e não por uma Comissão Processante.
Próximos passos
Ao final da fase de oitivas e apuração, será elaborado um relatório conclusivo pelo relator Nelson Hossri. Esse relatório poderá recomendar arquivamento ou penalidades ao vereador, inclusive a cassação de mandato.
A decisão final caberá ao plenário da Câmara Municipal de Campinas, onde os 33 vereadores votarão a favor ou contra o parecer final da comissão. Lembrando que 23 parlamentares votaram pela abertura da CP.







