A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Pancadões, da Câmara Municipal de São Paulo, é a 1º CPI do plenário paulistano no ano de 2025. Aprovada em abril e instalada em 13 de maio, a comissão, presidida pelo vereador Rubinho Nunes (UNIÃO), tem o objetivo de investigar “possíveis omissões de órgãos públicos na fiscalização da perturbação do sossego gerada por festas clandestinas na cidade [de São Paulo]”.
Nunes justificou que, semanalmente, recebia reclamações de perturbação de sossego no seu gabinete.
“Não eram apenas reclamações de barulho, mas perturbações de sossego atreladas ao tráfico de drogas, ao crime organizado e a festas clandestinas que tomam as comunidades durante todos os finais de semana”, relatou o parlamentar.
O vereador Kenji Ito (PODE), vice-presidente da comissão e ex-policial civil, declarou que a CPI não era um ataque à forma de entretenimento dos pancadões – legitimamente reconhecida como opção de lazer para o morador periférico na opinião de membros da comissão – mas uma investigação das irregularidades em que ela é produzida e seus efeitos deletérios nas comunidades.
Lucas Pavanato (PL), vereador bolsonarista de 27 anos, que sofreu pedido de cassação de mandato após episódios de quebra de decoro e transfobia, foi o escolhido para a relatoria dos trabalhos.
Desde então, semanalmente, às 11 horas das quinta-feiras, a CPI dos Pancadões se reúne no Plenário 1º de Maio da Câmara de São Paulo para ouvir cidadãos ligados ao tema, como funkeiros, donos de adegas, influenciadores digitais e policiais militares.
Com o decorrer das reuniões, o principal ponto dos parlamentares foi a ineficiência da fiscalização do poder público. A incapacidade dos órgãos públicos de atender à demanda de chamados de perturbação e de uso do espaço na periferia, diante da ameaça do crime organizado, foi considerado o fator vital para a intervenção da Câmara.
Parlamentares proferiram o discurso de que, se houvesse a devida fiscalização, as festas não aconteceriam, já que, fundamentalmente, os “pancadões” não deveriam acontecer.
Rubinho Nunes, em seu requerimento de criação da CPI, afirmou que políticas de segurança urbana são fundamentais para que “munícipes não se tornem reféns do crime organizado que financia as adegas que, por sua vez, realizam e fomentam as festas clandestinas e ‘pancadões’”.
De acordo com o parlamentar, a falta de fiscalização de algumas Subprefeituras contribuiu para a sensação de “total impunidade do crime organizado, enquanto a população agoniza ao ver seus filhos e filhas cooptados pelo tráfico ao som ensurdecedor do ‘pancadão’”.
Em contrapartida, influenciadores periféricos defenderam as festas nas audiências. O mais recente deles foi o youtuber e palestrante Thiago Torres, mais conhecido como Chavoso Da USP, que, nesta quinta-feira (28), compareceu à reunião da comissão, sob intimação, para prestar esclarecimentos a respeito do teor dos bailes e o suposto envolvimento do crime organizado na realização dos eventos.
Thiago Torres e Rubinho Nunes protagonizaram momentos de trocas de farpas, discussões e frases de efeito, que viralizaram nas redes.
A CPI dos Pancadões está prevista para ser encerrada no dia 10 de outubro de 2025.
Confira a reunião da CPI na íntegra:







