Uma criança de 3 anos foi picada por um escorpião dentro de casa, em Jaguariúna, e precisou ser transferida para o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, em Campinas, onde chegou em estado grave no início da madrugada desta terça-feira (16). A menina estava internada na UTI até o início da tarde e seu quadro de saúde era considerado estável.
Era por volta das 23h quando a criança acordou chorando e logo a mãe viu o escorpião na gola do pijama da filha. A família mora no bairro Nova Jaguariúna, e em poucos minutos chegaram ao hospital municipal Walter Ferrari. No entanto, a unidade não dispõe de soro antiescorpiônico.
“Na hora eu só pensei em socorrer. Corri para o hospital, pedindo que aplicassem o soro, mas disseram que não havia”, conta a mãe Érica Almeida. A menina chegou ao hospital municipal vomitando muito, e recebeu socorros iniciais na ambulância.
Segundo Érica, os médicos do HC informaram que a menina chegou com quadro de vômito intenso, batimentos cardíacos muito baixos e em hipotermia. “Ela estava em estado grave disse um médico”, relata a mãe.
Um laudo médico apresentado à família na tarde desta terça-feira indicou que a criança está com água no pulmão. Ela segue em observação na UTI.
Caso semelhante terminou em tragédia
O episódio traz à memória a morte de Arthur Morais Carvalho Nascimento, também de 3 anos, em novembro de 2024. O menino foi picado por um escorpião dentro de sua casa, no Jardim Europa, em Jaguariúna, e também não encontrou o soro antiescorpiônico no município.
Arthur precisou ser transferido ao HC da Unicamp, onde recebeu o soro antiescorpiônico. A criança ficou na UTI Pediátrica, mas o quadro clínico se agravou, indo a óbito na manhã do dia seguinte ao acidente.
Na época, a Prefeitura informou que seguia protocolos regionais para acidentes com escorpião. O caso de Arthur segue na Justiça, pois a família questiona os procedimentos adotados.
Em nota, a Prefeitura de Jaguariúna informou que a conduta em casos de acidentes com escorpião segue o estabelecido pelo Plano Regional sobre Acidentes com Escorpião, que define critérios e fluxos de atendimento, além das referências regionais de encaminhamento.
“Conforme o Plano, as unidades de baixa e média complexidade de cada município realizam o primeiro atendimento. No caso de Jaguariúna, a referência para situações de alta complexidade, devido à proximidade geográfica, é o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, conforme a Deliberação CIB nº 14/2019”.
A Secretaria de Saúde de Jaguariúna reafirmou, assim como há alguns meses, que está trabalhando junto ao Estado para que o soro possa ser disponibilizado no município.
O que diz a Secretaria Estadual de Saúde
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que, em caso de acidente com animais peçonhentos no estado de São Paulo, a população deve procurar o serviço de saúde mais próximo de sua residência, para que possa receber o tratamento adequado o mais rápido possível.
Atualmente, existem 221 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESAs) para atendimento aos acidentados por animais peçonhentos em todo o Estado.
As unidades são distribuídas estrategicamente com o objetivo de reduzir o tempo entre a picada e o atendimento/tratamento do acidentado, principalmente no socorro às crianças de até 10 anos, que precisam de assistência em até 1h30 após o acidente.
Para facilitar a localização e a identificação de cada um dos pontos de atendimento soroterápico, a SES mantém um mapa interativo on-line com as informações necessárias para buscar ajuda em emergências, sobretudo, no período quente e chuvoso, época em que este tipo de acidente mais acontece.







