O presidente da Ponte Preta, Luiz Alves Torrano, comentou pela primeira vez a situação financeira e administrativa do clube desde o início de seu mandato, em dezembro. Segundo ele, os primeiros dias foram dedicados exclusivamente à resolução de problemas urgentes, como os salários atrasados e o transfer ban que impedia o registro de novos jogadores. Torrano afirmou que essas ações imediatas eram necessárias para não “fechar o clube”.
As declarações ocorrem na mesma semana em que a CBF divulgou, na quarta-feira (4), os valores das cotas da Copa do Brasil de 2026. A Ponte, que entra diretamente na terceira fase por ter sido campeã da Série C, teria direito a R$ 1,53 milhão. No entanto, o montante não entrará no caixa.
Com parcelas em atraso referentes ao Plano Especial de Pagamento Trabalhista (PEPT), o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região determinou a penhora de R$ 1,54 milhão em valores a receber da CBF, valor praticamente equivalente à premiação. A decisão, proferida na última terça-feira (3) atendeu ao pedido da própria Ponte, que solicitou o uso de receitas futuras repassadas pela CBF como garantia.
Em entrevista à CBN Campinas, Torrano relatou os problemas que marcaram os primeiros dias de gestão. Segundo o presidente, R$ 2,7 milhões foram destinados à derrubada do transfer ban, enquanto R$ 1,5 milhão serviu para pagamentos parciais de salários, que ainda não foram totalmente pagos. Somadas às despesas internas, as cifras chegaram a cerca de R$ 5 milhões nos primeiros cinco dias de mandato, “com o caixa zerado”.
A prioridade inicial foi cumprir a “primeira mini meta”: resolver os problemas emergenciais que ameaçavam o funcionamento cotidiano do clube. “O dia a dia do clube está normal, mas com muitos salários atrasados. Alguns funcionários mais humildes com menos atraso, outros com mais. São transtornos da falta de dinheiro. A primeira mini meta foi essa: detectar o que estava pendurado no pescoço e resolver, para não fechar o clube. Acredito que cumprimos, embora não tenhamos tido sucesso em outros campos”, disse.
O dirigente também afirmou que a Ponte busca novas fontes de recursos, citando empréstimos bancários, repasses futuros da CBF por Copa do Brasil e Série B e novos contratos de publicidade previstos para os próximos meses. Ele voltou a atribuir o cenário encontrado a gestões anteriores à de Marco Eberlin, atual vice-presidente e diretor de futebol.
“Eberlin pegou isso aqui com o rabo de foguete. Fez um trabalho gigante. A Ponte vai entrar no eixo este ano? Não. Espero que no ano que vem comece a entrar. Isso aqui é daqui a dez anos. Levou vinte para escangalhar. Não vai consertar do dia para a noite. Quando eu disse que vai ser um sucesso, eu disse que vou encaminhar o sucesso”, afirmou.
Valores penhorados
O PEPT, acordo firmado em agosto de 2023 para reunir todas as ações trabalhistas do clube em um único processo, previa depósitos mensais. Os atrasos, porém, se tornaram recorrentes antes e depois da transição de gestões e hoje acumulam dez meses. Na terça-feira (3), a juíza Bruna Muller Stravinski, do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, determinou a penhora de R$ 1,54 milhão em receitas da Ponte como garantia de pagamento das parcelas vencidas.
Torrano explicou que as parcelas mensais do plano giram em torno de R$ 1,5 mil: “Veja bem: o PEPT reúne todas as execuções trabalhistas em um único processo. Pagamos por volta de R$ 1,5 mil por mês, um pouco mais ou um pouco menos. Nosso futuro é esse: pagar essas dívidas atrasadas, obter novos valores e seguir a vida.”
O presidente encerrou pedindo o apoio das arquibancadas. Segundo ele, a Ponte depende da presença da torcida para atravessar o momento mais delicado de sua história recente. “A maior torcida do interior, a torcida mais apaixonada, precisa vir ao jogo, incentivar o time, dar apoio. Contamos com a torcida. Sem a torcida, nada está feito. Sem a torcida, pode fechar a Ponte Preta.”
Fora de campo, a situação da Macaca é delicada. Virtualmente rebaixada, enfrenta a Portuguesa neste sábado (7), às 16h, no Canindé. Para seguir com chances de permanência, precisa vencer e torcer por tropeços de Velo Clube e Noroeste.











