O prefeito de Campinas, Dário Saadi (Repub), 61 anos, termina seu primeiro mandato à frente do Palácio dos Jequitibás com duas sensações muito evidentes: 1) alívio pela decisão favorável da Justiça Eleitoral que derrubou em setembro, em primeira instância, a cassação de sua candidatura, e 2) otimismo por ter quatro anos inteiros pela frente, período em que, mais experiente, poderá refinar as políticas públicas e atacar problemas pontuais que seguem desafiando a cidade.
Um deles aparece todo ano e, mesmo assim, segue sem solução. Trata-se das enchentes em pontos historicamente conhecidos, mas que mantêm-se mortais e destruidoras.
Dário fecha sua primeira gestão com um desafio não atacado totalmente, mas encaminhado, segundo ele, para ser minimizado bastante quando estiverem prontas obras estruturais nas regiões das avenidas Princesa d’Oeste e Orosimbo Maia, onde córregos canalizados transbordam por vazão insuficiente.
Neste assunto, Dário lembra das mudanças climáticas, que modificaram a regularidade e intensidade dos temporais. Pondera ainda que a estrutura urbana não foi devidamente projetada no passado para o atual cenário ambiental global.
O prefeito, ao receber a equipe do Hora Campinas em seu Gabinete, no 4º andar do Paço Municipal, lembrou dos anos difíceis da pandemia da Covid-19, época em que teve que tomar medidas impopulares mas necessárias.
Perguntado, disse que não teria mudado nada, em essência, das decisões daqueles anos, “apenas questões pontuais”. Ele costuma dizer que, dos quatro anos, a pandemia comprometeu praticamente dois anos de seus projetos. “Mas Campinas voltou mais forte”, considera, reforçando o papel do Programa de Ativação Econômica e Social (PAES), iniciativas bem-sucedidas para geração de emprego e renda no Município.
Ainda sobre a panemia, o próprio Dário foi vítima da doença respiratória, tendo que, inclusive, ser internado na UTI da Casa de Saúde. Dois anos depois, afirma não ter sequelas.
Um dos temas espinhosos e que o prefeito admitiu não ter solucionado ainda é a nova licitação do transporte público, que acabou de passar por audiências com a sociedade. O processo naufragou esse ano por falta de interesse das empresas do setor. A licitação foi declarada deserta. O prefeito espera começar a nova gestão com o assunto encaminhado e o edital pelo menos publicado.
Dário não poupou críticas ao PT campineiro por ter movido a ação que resultou na cassação (derrubada depois). “O PT com histórico de mensalão e petrolão”, alfinetou.
Enfatizou que o partido queria ganhar “o jogo no tapetão”, mas reconheceu que aquela decisão mexeu com a sua candidatura, pois estava diante de um cenário de insegurança jurídica.
O prefeito recordou que, porém, a sentença era “claramente desproporcional” e que as gravações em espaços públicos que motivaram a cassação (derrubada) ficaram restritas às redes sociais e sequer foram para o programa eleitoral. “Foi um erro da campanha, eu assumo”, reconhece.
Dário realça, no entanto, que uma ordem de serviço disciplinava as gravações de todos os candidatos nos locais públicos. Mas, em tom bem-humorado, comentou que nenhum adversário iria querer gravar, por exemplo, numa creche do Espaço do Amanhã. “Nos preocupava sim o impacto político. Meus adversários fizeram um carnaval. Diziam que o voto na minha candidatura seria nulo, pedindo para a população não votar”, recordou.
E, sobre Educação, Dário Saadi falou ao Hora Campinas, com bastante entusiasmo, de projeto que parece ser a menina dos olhos da nova gestão: a construção de escolas municipais de período integral.
De acordo com ele, o projeto será bancado com recursos próprios – pretende entregar dez unidades em até três anos. Dário afirma que haverá orçamento e pessoal para isso.
O prefeito ressaltou que a escola de período integral, como deseja implantar na cidade, será devidamente estruturada, com disciplinas extra-curriculares e atividades que valorizem a integração e a convivência dos estudantes. Haverá espaços para teatros e quadras poliesportivas, por exemplo.
Dário revelou que serão unidades robustas, com área total de até 7 mil metros quadrados. Hoje, a rede municipal campineira tem nove escolas de Ensino Fundamental. Se o projeto avançar, serão 19 no segundo governo de Dário Saadi.
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