No próximo dia 22 de abril será lembrado mais um Dia da Terra. Na realidade, Dia da Mãe Terra, como a data passou a ser comemorada em função de demandas de povos indígenas de todo o planeta.
O Dia da Terra começou a ser comemorado em 1970 nos Estados Unidos. O país, assim como todo o mundo, estava testemunhando impactos cada vez mais agressivos do processo de desenvolvimento sem preocupação ambiental.
Desastres (crimes?) ambientais eram cada vez mais frequentes. Os alertas dos cientistas se multiplicavam. Em 1962, tinha sido lançado o livro “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson, um marco no ambientalismo.
Nos Estados Unidos, a situação despertava inquietação nas mentes e corações mais abertos. Caso do senador Gaylord Nelson, parlamentar de Wisconsin, assustadíssimo desde um derramamento de óleo em Santa Bárbara, na Califórnia, em 1969.
Naquele período, os EUA viviam a efervescência dos protestos contra a Guerra no Vietnã. O senador teve então a ideia de adaptar a indignação dos protestos pacifistas para a luta ambiental. Para isso, convidou o ativista Denis Hayes, para promover ações em defesa do meio ambiente em campi universitários.
A data escolhida foi 22 de abril, dia de semana entre as férias de primavera e as provas finais. O Dia da Terra foi um sucesso, mobilizando milhões, com a participação de várias organizações sociais e grupos religiosos.
O impacto foi enorme, levando à criação da Agência de Proteção Ambiental norteamericana e à edição de várias leis ambientais. E desde então o Dia da Terra passou a ser lembrado todo o 22 de abril e a mobilização se espalhou pelo mundo.
Em 2026, o tema do Dia da Terra é Nosso Poder, Nosso Planeta. A ideia é que apenas a mobilização da cidadania planetária pode reverter o momento caótico, dramático, que o planeta e a humanidade passam, com uma conjunção de crises socioambientais, como a climática e a da erosão da biodiversidade.
As guerras atuais, como a da Ucrânia e mais recentemente no Irã, com os ataques dos Estados Unidos sob Donald Trump, tornaram ainda mais graves as perspectivas para a Terra e a civilização como conhecemos. Nos últimos dias, inclusive, têm-se multiplicado nos Estados Unidos os protestos anti-guerra e anti-Trump.

O Global Environment Outlook (GEO-6), publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), maior levantamento sobre a situação ambiental do planeta já realizado, confirmou como a Terra vive o chamado momento de inflexão. São muitas crises simultâneas, colocando em risco o próprio futuro da vida no planeta como um todo.
A poluição mata 9 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Já são 40% das terras degradadas no planeta. Estão em xeque, portanto, a segurança alimentar e a segurança social, pelo agravamento de conflitos por recursos naturais.
A crise climática que se intensifica todo ano agrava ainda mais as outras crises. Os combustíveis fósseis continuam sendo explorados e exportados, o que mina os avanços com o crescimento importante das energias renováveis, como o caso da energia solar e eólica no Nordeste do Brasil.
Mas a produção da emergência climática é desigual. Somente dez países, China e EUA à frente, geram 10% dos gases de efeito-estufa emitidos, enquanto 50% dos países produzem 13% desses gases.
E, claro, as guerras, sempre as guerras, causando dor e sofrimento para milhões de pessoas. A indústria bélica agradece, mas milhares de pessoas morrendo com as armas modernas e sofisticadas, como os drones de última geração na atual guerra no Oriente Médio.
Apenas a mobilização da cidadania planetária para cessar essa loucura. Esta a mensagem do Dia da Terra de 2026, ainda mais atual, ainda mais urgente.
José Pedro Martins é jornalista, escritor e consultor de comunicação. Com premiações nacionais e internacionais, é um dos profissionais especializados em meio ambiente mais prestigiados do País. E-mail: josepmartins21@gmail.com











