Neste 21 de março será lembrado mais um Dia Internacional das Florestas, criado pelas Nações Unidas para reiterar o papel das flores e das árvores no equilíbrio global, em benefício direto para a humanidade. Neste ano de 2026, o tema é ainda mais relevante, considerando a importância central das florestas e árvores em geral no combate ao aquecimento global, na proteção da biodiversidade e na conservação dos recursos hídricos.
A ONU lembra que as florestas cobrem cerca de um terço da massa terrestre mundial. Cerca de 1,6 bilhão de pessoas, incluindo mais de 2000 culturas indígenas, dependem das florestas para seu sustento.
As florestas são vitais para o planeta por muitos motivos, incluindo: fornecendo abrigo para mais da metade das espécies terrestres de animais, plantas e insetos; contribuindo para o equilíbrio de oxigênio, dióxido de carbono e umidade no ar; proteger as bacias hidrográficas, que fornecem água doce para os rios.
Cada vez mais, de fato, a proteção das florestas e o plantio maciço de árvores é apontado como uma solução central para três graves crises socioambientais concomitantes, que estão assolando o planeta e ameaçando a civilização como conhecemos: a emergência climática, a erosão da biodiversidade e a escassez de água doce em muitas partes do planeta.
Proteger as florestas e plantar árvores em grande escala é essencial para a captura de gás carbônico, um dos gases que alimentam o aquecimento global. Do mesmo modo, manter as florestas em pé e plantar árvores, por exemplo restaurando corredores ecológicos ou microflorestas urbanas, é fundamental para conservar a biodiversidade.
A vida na Terra foi tecida pela interação entre as espécies animais e vegetais. Esse equilíbrio está sendo perdido por desmatamento, incêndios e outros crimes ambientais. Um milhão de espécies estão ameaçadas. E proteger as florestas e disseminar árvores por todo lado também é vital para conservar as nascentes de água, medida central para proteger os recursos hídricos, cada vez mais ameaçados.
O Brasil vivenciou um dos maiores crimes ambientais da história humana, que foi a derrubada da Mata Atlântica, que cobria quase todo o litoral brasileiro e uma faixa de 100 quilômetros para o interior.
Hoje a Mata Atlântica está reduzida a menos de 10% do original. Em algumas regiões e cidades, o percentual é ainda menor. No município de Campinas, restam menos de 5% de vegetação original, típica de Mata Atlântica.
Apesar dessa tragédia ambiental, entre tantas na história do Brasil, o nosso país ainda é privilegiado, com a Amazônia e outras florestas em várias partes do território nacional. Mas as ameaças permanecem e são graves. Cerca de 20% da Amazônia já foram destruídos. Com mais um percentual de devastação, a Amazônia atinge o ponto que os cientistas chamam de não retorno, de aceleração da destruição do bioma.
Nos últimos anos, em função de uma série de ações comandadas pelo governo federal, leia-se Ministério do Meio Ambiente, na gestão de Marina Silva, houve um significativo decréscimo do desmatamento na Amazônia, que é uma das principais fontes de emissão de gases de efeito estufa, aqueles que agravam o aquecimento global. O desmatamento maciço significa um volume imenso de gás carbônico acumulado sendo jogado para a atmosfera.
Proteger a Amazônia é proteger a biodiversidade impressionante da região (a maior do planeta), os recursos hídricos gigantescos do território e também a cultura dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outros. Manter a floresta em pé é, de forma crescente, uma estratégia para promover o uso sustentável da floresta.
O recente relatório “Análise das emissões de gases de efeito estufa”, publicado pelo Observatório do Clima no início desta semana, evidencia a importância das florestas brasileiras, em particular a Amazônia, e também as ameaças que permanecem contra o bioma.
O relatório mostra que as emissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil caíram 16,7% em 2024, atingindo 2,145 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO2 e), contra 2,576 GtCO2 e em 2023. É a segunda maior queda anual nos índices de poluição climática do país já registrada desde o início da série histórica completa, em 1990, e a maior desde 2009, quando o recuo foi de 17,2%.
O Observatório do Clima atribui essa redução nas emissões brasileiras justamente à queda do desmatamento.
“O comportamento das emissões está fortemente vinculado às taxas de desmatamento. Em 2024, a queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, na esteira de ações do Ibama, provocou a maior redução da história nas emissões por mudança de uso da terra: 32,5%. Todos os biomas brasileiros tiveram queda nas suas emissões, exceto o Pampa (alta de 6%)”, diz o documento.
Entretanto, o Observatório do Clima observa: “Mesmo com a queda no desmatamento, as mudanças de uso da terra seguem sendo o fator que faz do Brasil o quinto maior emissor de gases de efeito estufa do planeta (sexto, se a União Europeia for considerada como bloco). O Brasil emite mais carbono bruto somente por desmatamento que toda a Arábia Saudita (793 MtCO2 e) e todo o Canadá (760 MtCO2 e)”. MtCO e é sigla para megatoneladas de dióxido de carbono equivalente.
Fundamental, então, o Brasil perseguir a meta de desmatamento zero, tão defendida por cientistas e ambientalistas. O Observatório do Clima lembra que “o recorde histórico de incêndios no país na megaestiagem de 2024 fez com que essas emissões por fogo atingissem o maior nível da série histórica, 241 MtCO2 e. Caso fossem incluídas na contabilidade, elas praticamente dobrariam as emissões líquidas por mudança de uso da terra, que em 2024 foram de 249 MtCO2 e”.
Mas a importância das florestas e árvores e geral também se estende aos centros urbanos. Está evidente que o plantio maciço de árvores nos aglomerados urbanos, em especial nas metrópoles como Campinas, é vital para o combate ao aquecimento global.
As árvores geram microclimas mais agradáveis para as pessoas, essencial em dias de calor extremo, e também como medida de proteção contra as enchentes cada vez mais presentes no meio urbano brasileiro, por exemplo. O conceito de cidades-esponja, que vem sendo muito defendido para os cenários urbanos, está diretamente associado ao plantio maciço de árvores, de forma associada com áreas reservadas para a drenagem.
Portanto, o Dia Internacional das Florestas, neste ano de 2026, deveria ser mais uma oportunidade para aumentar a consciência da importância crucial das florestas e árvores em geral para o planeta. É vital para a humanidade e o planeta que sejam aceleradas as iniciativas de proteção das florestas e de plantio maciço de árvores, nos meios urbano e rural. Sem isso não haverá futuro possível.
José Pedro Martins é jornalista, escritor e consultor de comunicação. Com premiações nacionais e internacionais, é um dos profissionais especializados em meio ambiente mais prestigiados do País. E-mail: josepmartins21@gmail.com











