Com direção do escritor e videomaker Carlos Lopes, o documentário “Sobre Viver: Keyla Ferrari, uma mulher em tratamento paliativo” mergulha em um turbilhão de emoções ao percorrer a trajetória da pedagoga e bailarina, que inspirou e deu nome à produção audiovisual. Diagnosticada por duas vezes com câncer de mama, Keyla traz uma visão particular de quem é paciente oncológica e perdeu familiares próximos pela mesma doença.
Com 21 minutos de duração, o filme estreia às 19h desta segunda-feira (6), no Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas. A entrada é gratuita, com indicação a partir dos 12 anos
Além da exibição do filme, a noite conta com apresentações do coral Coromim, da Escola Curumim, e do Coral de Libras do Centro Educacional Integrado Padre Santi Capriotti (CEI Campinas).
O evento integra a programação do Outubro Rosa, de prevenção contra o câncer de mama.
A gravação do documentário seguiu um roteiro de perguntas temáticas elaboradas por Lopes, baseadas em resumos previamente escritos por Keyla para o filme.
“Apesar das perguntas roteirizadas, o depoimento da Keyla flui espontaneamente; é sensível, corajoso e animador, tornando-se poderoso para esclarecer e cativar a todos, pacientes ou não, a entenderem e acolherem quem sofre de doenças crônicas”, conta Lopes.
“Tem sido um privilégio ouvir essa professora universitária e bailarina e conhecer de perto suas atuações nas diversas frentes sociais”, acrescenta Lopes lembrando que a “solidariedade é ação que trata e cura”
A protagonista
Keyla recebeu o primeiro diagnóstico de câncer de mama em 2017. O segundo veio em 2023. Hoje, celebra 11 meses em remissão do câncer, com tratamento paliativo. A doença em seu caso se deve a fatores hereditários de predisposição. Sua mãe, já falecida, recebeu o diagnóstico quando a bailarina tinha 6 anos e apenas uma de suas três irmãs não sofreu alterações indevidas de genes.
No final de maio deste ano, uma delas faleceu por conta também do câncer de mama.
A gravação do documentário aconteceu no Museu da Cidade, localizado na Casa de Vidro, no Lago do Café, no Taquaral, em Campinas. “Quando chegamos lá, tinha uma exposição que abordava o tema mulheres e o câncer de mama. Foi muito emocionante, porque não foi combinado”, conta Keyla. “Quero muito que as pessoas olhem também para quem tem câncer de mama, com metástase, que estão em tratamento paliativo, e que vejam vida, porque essa condição não significa que vamos morrer amanhã ou que temos uma vida ruim.”
A intenção do curta-metragem, segundo Keyla, é tanto desmistificar a ideia de finitude para os pacientes paliativos como também mostrar para a sociedade que dentro das campanhas têm aquelas pessoas que nunca vão tocar o “sino de vitória”.
“Estaremos permanentemente em tratamento”, explica. “Tento mostrar para as outras pessoas que têm o mesmo diagnóstico que é possível viver bem, que é possível ter esperança, que é possível buscar qualidade de vida. Apesar do luto que a gente vive, precisamos buscar o apoio da família, dos amigos e da gente mesmo. E isso não é romantizar a doença, mas lutar pela vida.”
Outubro Rosa
Para o videomaker Carlos Lopes, a campanha Outubro Rosa, de conscientização sobre o câncer de mama é essencial, e o documentário revela a força e a determinação da bailarina Keyla em diferentes momentos de sua vida na luta contra a doença.
“Mostrar a história da Keyla é crucial para inspirar outras mulheres a buscar o autocuidado e a priorizar a vida”, destaca. Lopes já captou alguns depoimentos anteriores da bailarina e intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais), sendo o primeiro deles no ano passado, quando ela traduziu as músicas do espetáculo “Cuidando de Quem Cuida”, do Coral Coromim, que tem como regente o multiartista Coré Valente. A entrevista fez parte do documentário “Coromim, 27 Anos da Tribo de Todos os Cantos”, produzido por Lopes.
Este ano, Lopes voltou a captar imagens de Keyla ao filmar e editar vídeos da apresentação do coral de Libras do CEI (Centro Educacional Integrado Padre Santi Capriotti) e de ensaio de música no Instituto Braille, projetos desenvolvidos pela artista com participação do regente Coré Valente.
“Foi quando a Keyla demonstrou interesse em dar um depoimento sobre sua vida, arte e condição de paciente em tratamento paliativo”, conta Lopes.
A trilha sonora é de autoria de Coré Valente, que participa também do Sinestesia: Dança e Poesia Além dos Sentidos, projeto que oferece aulas de dança gratuitas para pessoas cegas e surdocegas, em Campinas, realizado por meio do ProAC (Programa de Ação Cultural) da Secretaria de Estado e Economia Criativa de São Paulo. O documentário contou com a participação do assistente de direção Bidi Rodrigues.
Durante a estreia do documentário, que tem o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Campinas, a plateia também assistirá as apresentações dos corais Coromim e de Libras do CEI Campinas. Após a estreia, o documentário poderá ser acessado no canal carobelopes (https://www.youtube.com/carobelopes).






