O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, iniciou 2026 com três programas estratégicos voltados à formação de novos talentos e ao fortalecimento da diversidade na ciência brasileira. A Escola Sirius para Professores do Ensino Médio (ESPEM), o Programa Bolsa de Verão (PBV) e a participação no programa nacional Futuras Cientistas têm a missão de fortalecer a atuação do CNPEM na área de educação e divulgação científica.
Os programas oferecem oportunidades para professores e estudantes de diferentes regiões do Brasil e da América Latina, com atenção especial à inclusão de mulheres, jovens de localidades distantes e integrantes de comunidades historicamente sub-representadas, como indígenas e quilombolas.
As iniciativas integram a política institucional do CNPEM de aproximar a sociedade das pesquisas de fronteira, que impactam áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade.
O Centro é uma das mais avançadas instituições de pesquisa da América Latina, que abriga infraestruturas científicas de ponta como o Sirius, um dos únicos aceleradores de partículas tipo síncrotron de quarta geração do mundo.
A instituição também está implantando o complexo para pesquisas em patógenos Orion, que terá o primeiro laboratório de biossegurança máxima (NB4) da América Latina e o primeiro do mundo conectado a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius.
Formação de professores
A 8ª edição da Escola Sirius para Professores do Ensino Médio (ESPEM) foi realizada de 12 a 17 de janeiro de 2026 com educadores de Física, Química e Biologia das redes pública e privada de todo o país. O programa é promovido pelo CNPEM com apoio da Sociedade Brasileira de Física (SBF).
Os participantes tiveram aulas teóricas e práticas com pesquisadores do CNPEM, palestras com especialistas convidados e fizeram visitas aos laboratórios nacionais que fazem parte do Centro, incluindo o Sirius. A proposta é que os professores conheçam de perto áreas como luz síncrotron, biociências, nanotecnologia, engenharia e biorrenováveis, além do curso superior em Ciência e Tecnologia da Ilum Escola de Ciência.
Severino do Ramo Fernandes da Silva Neto, o primeiro professor indígena a participar da Espem, veio da Baía da Traição, na Paraíba. Ele é mestre e doutorando em Física pela UFPB, atuando como professor em escola da comunidade indígena.
“Trabalho com jovens indígenas e tento mostrar que a Física está presente na vida deles e do povo potiguara. O conhecimento indígena tem muita ciência, mas não tem validação acadêmica e tem esse preconceito de que só é válido se tiver essa comprovação. Eu trabalho a Física a partir de nossas práticas culturais. Na Feira de Ciência, trabalhamos a Física no forno de farinha, no uso do arco e flecha, nas medidas do nosso território, entre outras referências”, explica Severino Neto. “Quando fui aprovado no programa do CNPEM, eu recebi a notícia em sala de aula e quase chorei. Agora quero levar essa experiência fascinante de estar aqui para nossos alunos e um dia espero que tenhamos um cientista indígena no CNPEM.”
Além do conteúdo técnico, a ESPEM também funciona como um espaço de troca de experiências pedagógicas, fortalecendo redes entre educadores de diferentes contextos regionais e sociais. A expectativa é que o impacto do programa se multiplique nas salas de aula, alcançando milhares de estudantes e estimulando o interesse pela ciência.
Integração latino-americana
O Programa Bolsa de Verão (PBV) chegou à sua 33ª edição em 2026 como uma das principais portas de entrada de estudantes universitários no ambiente de pesquisa do CNPEM. Realizado de 7 de janeiro até 27 de fevereiro, o programa recebeu 1.089 inscrições, com candidatos de 26 estados, e de nove países da América Latina e Caribe.
Nesta edição, foram selecionados 28 estudantes de graduação de 15 estados brasileiros e de três países (Equador, Colômbia e Chile). Os participantes desenvolvem 22 projetos de pesquisa multi e interdisciplinares, distribuídos entre os quatro laboratórios nacionais do CNPEM: LNLS (4 projetos), LNBio (9), LNNano (6) e LNBR (3).
A diversidade regional é um dos destaques do programa, sendo que 10 estudantes vieram do Nordeste, seis do Sudeste, cinco do Sul, um do Norte e um do Centro-Oeste, além dos participantes internacionais. A proposta do PBV é oferecer uma vivência intensiva em pesquisa científica, com orientação direta de pesquisadores do CNPEM.
Futuras Cientistas
O CNPEM também integra, desde 2023, o programa nacional Futuras Cientistas. A iniciativa busca incentivar meninas do Ensino Médio público a explorarem carreiras nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Em 2026, 16 estudantes do Estado de São Paulo participaram das atividades desenvolvidas em parceria com o centro.
Criado em 2012 pelo Cetene (Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste) e expandido nacionalmente em 2023, o programa tem apresentado bons resultados. Cerca de 70% das participantes ingressaram no ensino superior, o que indica o impacto direto da proposta na formação de trajetórias acadêmicas e profissionais.
As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC).









