O fim de semana foi marcado por celebração e aproximação com a arte campineira durante um encontro especial conduzido por um de seus mais ilustres e respeitados artistas. Egas Francisco — pintor, desenhista, cenógrafo e professor — recebeu convidados neste sábado (29) para apresentar seu novo projeto: o livro “Egas”, obra que reunirá cerca de 120 trabalhos, entre óleos sobre tela, aquarelas, desenhos e outras técnicas, além de textos, registros e contextualizações críticas sobre seus processos de criação.
Previsto para lançamento no início de 2026, o livro busca aprofundar o conhecimento sobre a trajetória e a produção de Egas, que, aos 87 anos, permanece ativo em seu ateliê em Campinas, cidade onde vive desde os sete anos — e que, como afirmou em entrevista ao Hora Campinas em 2022, o “adotou”, tornando-se a base de sua conexão com a cena artística e cultural local ao longo de mais de seis décadas de carreira.
Durante o evento, os convidados acompanharam relatos do próprio artista sobre sua carreira, suas referências, escolhas estéticas e motivações, em uma apresentação que detalhou tanto o conteúdo da obra quanto o processo de elaboração do projeto editorial.
O trabalho, desenvolvido por uma equipe de profissionais de comunicação de Campinas e pela curadoria do próprio Egas reúne pesquisa documental, entrevistas, fotografias e acompanhamento direto do artista. O resultado é um panorama abrangente de uma trajetória que atravessa ensino, cenografia, experimentação técnica e circulação em exposições e mostras nacionais e internacionais.

A seleção do livro contempla retratos e autorretratos, paisagens, cenas do cotidiano e composições que exploram a relação entre movimento e imobilidade — dicotomia central na produção do artista. Parte expressiva do acervo permanece em seu ateliê-casa, em Campinas, enquanto outras obras integram coleções particulares e instituições no Brasil e no exterior, onde o artista mantém reconhecimento consolidado entre críticos e apreciadores.
Nascido em São Paulo, mas criado em Campinas desde a infância, Egas também teve papel significativo como professor e formador. Na década de 1960, lecionou Educação Artística no Instituto D. Nery, no Senac e no Conservatório Carlos Gomes, além de dirigir o departamento de pintura do Centro de Ciências, Letras e
Artes (CCLA), onde promoveu cursos e oficinas para crianças. Em junho deste ano, o CCLA homenageou o artista ao batizar sua galeria de artes como “Galeria de Artes Egas Francisco”.

Processo de criação
A equipe responsável, composta pelos jornalistas Elcio Ramos e Raquel Mattos, o designer gráfico Charles de Souza Leite e a fotógrafa Denise Jardim, sob coordenação editorial de Renata Podolsky, realizou a seleção do acervo diretamente no ateliê do artista. O processo permitiu um diálogo próximo com Egas, que revisitou memórias e compartilhou reflexões sobre sua produção ao longo das décadas.
“Tenho em meu ateliê a obra de uma vida inteira, que revela muito sobre minha história. Também estamos detalhando as peças espalhadas pelo Brasil, com colecionadores, empresas e em outros países”, afirma o artista, reforçando o desejo de preservar, conservar e tornar pública sua produção.
Destinado a leitores do circuito das artes, curadores, colecionadores, pesquisadores e imprensa cultural, o livro busca preencher uma lacuna histórica: reunir, analisar e registrar de forma crítica e ilustrada a obra de Egas Francisco.
SERVIÇO
Título provisório: Egas
Formato: livro de arte, capa dura, 324 páginas, com 120 reproduções comentadas
Previsão de conclusão: início de 2026









