O capitão da Ponte Preta, Elvis, fez um forte desabafo na saída de campo após a derrota por 1 a 0 para o Velo Clube, na noite desta quarta-feira (14), no Moisés Lucarelli. O meia direcionou duras críticas à diretoria, citando a quebra de promessas relacionadas ao planejamento do clube para a temporada de 2026 e a dificuldade para regularizar os reforços contratados.
“É uma vergonha o que está acontecendo. No futebol, a gente paga por falar, mas dessa vez eu vou falar. Estamos lutando e não estamos conseguindo. É até um pecado querer cobrar algum menino que subiu nessas condições. Estamos sofrendo por causa de uma desorganização do clube. Quem renovou contrato, renovou acreditando que ia melhorar. Infelizmente, não está melhorando nada”, disparou o camisa 10.
As críticas do capitão foram direcionadas à diretoria, que, desde o fim do ano passado, prometia a queda do transfer ban imposto à Ponte Preta, o que permitiria a regularização dos atletas contratados.
No entanto, até a segunda rodada do Campeonato Paulista, os reforços seguem impossibilitados de atuar, o que forçou a utilização de jogadores da base. Destaques do elenco que disputava a Copa São Paulo de Futebol Júnior foram promovidos ao time profissional, interrompendo a campanha da equipe sub-20, eliminada pelo Cruzeiro por 3 a 0, também na noite desta quarta-feira, na terceira rodada da competição.
“O culpado pela derrota somos nós, jogadores. Mas o que foi passado para nós que renovamos é que o projeto era para a Ponte fazer um campeonato tranquilo. As contratações que chegaram são ótimos jogadores, que poderiam ajudar a equipe a ganhar corpo e, aí sim, lançar a molecada, que tem muita qualidade. É preciso cobrar a diretoria porque passou da hora. Tinha até o dia 8 para resolver e não resolveram. Chega. Se quiserem me mandar embora, podem mandar. Estou falando a verdade”, afirmou.
Elvis foi um dos jogadores que optaram por permanecer na Ponte Preta mesmo em meio à crise financeira, que envolve valores em atraso para atletas e comissão técnica. O novo vínculo do meia vai até 2028. Além dele, o goleiro Diogo Silva, o zagueiro Saimon, o lateral Pacheco, o volante Rodrigo Souza e os atacantes Bruno Lopes, Diego Tavares e Jeh também decidiram seguir no clube apesar do cenário adverso.
O meia também comentou sobre a decisão de permanecer no clube, apesar da oposição da família.
“Minha família foi contra eu ficar aqui, mas eu acreditei no projeto e acho que errei. Tentei ser de grupo, ajudar, e se me mandarem embora amanhã, eu saio de cabeça erguida. Mas tem que regularizar os jogadores. Precisam parar de dar desculpa e agir. A Ponte Preta não merece isso. Precisamos fazer uma Ponte Preta forte, de fora para dentro”, completou.
Com o novo formato do Campeonato Paulista, que prevê uma fase de grupos mais curta, com apenas oito jogos, a situação da Ponte Preta se torna ainda mais delicada. A equipe acumula duas derrotas consecutivas, ocupa a lanterna da competição e volta a campo no sábado (17), fora de casa, diante do Capivariano.
A expectativa do torcedor é de que a diretoria cumpra as promessas, resolva o transfer ban e evite um agravamento da crise dentro e fora de campo.
Ouça o áudio do desabafo do jogador Elvis:
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