O primeiro dos protestos organizados pela torcida da Ponte Preta ocorreu de forma pacífica na noite desta segunda-feira (19), em frente ao Estádio Moisés Lucarelli. A mobilização teve como principal objetivo cobrar a atual diretoria executiva do clube, comandada pelo presidente Luiz Alves Torrano e pelo vice-presidente e diretor de futebol Marco Antonio Eberlin, diante da crise financeira que atinge o clube.
Pouco antes da manifestação, a diretoria divulgou uma nota oficial em que se posiciona sobre a crise financeira enfrentada pelo clube, os atrasos salariais, o transfer ban e os protestos anunciados. Uma nova manifestação — desta vez mobilizada pelas torcidas organizadas — já está marcada para esta quarta-feira (21), às 19h, pouco antes da partida contra o São Bernardo, no Estádio Moisés Lucarelli, pela quarta rodada do Campeonato Paulista.
O protesto desta segunda, acompanhado pelo Hora Campinas, contou com faixas direcionadas à diretoria, com dizeres como “Fora Eberlin”, “Ponte Preta é sangue e suor, fora parasitas” e “Quem cai primeiro, transfer ban ou a Ponte para a Série A2?”. Com o transfer ban imposto pela Câmara Nacional de Resoluções de Disputas (CNRD), vigente desde julho e que impede a inscrição de reforços, a torcida teme um novo rebaixamento no Paulistão. Além do bloqueio da CNRD, há ainda um segundo transfer ban aplicado pela Fifa.
Atualmente, a Macaca soma três derrotas consecutivas, ocupa a lanterna da competição, não marcou gols e tem apenas mais cinco partidas pela frente na fase de grupos. Um eventual rebaixamento representaria a segunda queda estadual recente e a terceira sob a gestão de Eberlin, considerando também o rebaixamento no Paulistão de 2022 e na Série B de 2024. Em contrapartida, o clube conquistou a Série A2 em 2023 e a Série C em 2025, este último o primeiro título nacional de sua história.
Em nota assinada pelo presidente Luiz Alves Torrano, a diretoria afirma que o processo eleitoral e a proximidade do fim do ano dificultaram o início da gestão. Segundo o comunicado, “o trabalho da nova diretoria iniciou-se em 05/01/2026, completando no dia de hoje (19/01/2026) apenas 10 dias úteis de trabalho, e teve como principal objetivo o pagamento do transfer ban”.
O texto destaca ainda que os valores cobrados pela CNRD, que resultaram no bloqueio, são oriundos de gestões anteriores, principalmente até o ano de 2021. A diretoria também comenta a saída recente de jogadores considerados importantes, explicando que, após a conquista da Série C, houve valorização do elenco e pedidos de reajuste salarial, negados em função da necessidade de priorizar o pagamento de salários atrasados.
“A conquista do Campeonato Brasileiro da Série C valorizou em demasia o elenco de atletas profissionais da AAPP, que contam com meses de salários atrasados, o que ocorre por motivos de bloqueios e pagamentos de dívidas contraídas em gestões passadas”, diz a nota.
Segundo o comunicado, diante da necessidade de redução de custos, propostas financeiramente superiores de outros clubes teriam motivado a saída de atletas. “Alguns deles, entretanto, informaram o desejo de sair, pois estão em busca de seu eldorado, o que é de se entender. Desta forma, alguns se desligaram de nossa instituição”, afirma o texto.
Sobre os protestos, a diretoria declarou encarar as manifestações como parte do processo democrático, mas criticou sua origem. “O protesto, no entanto, nos causa grande espanto, pois a sua iniciativa, liderança e incitação, ao que tudo indica, parte de ex-dirigentes que aqui estiveram num passado não tão distante e que nada fizeram para conter esse endividamento da ordem de quase R$ 400 milhões”.
“Estamos trabalhando diuturnamente, com as mangas arregaçadas e prontos, para que a AAPP tenha dias melhores, mas, para isso, precisamos de apoio incondicional de nossa gigantesca torcida”, finaliza o comunicado.
Prazo perto do fim
O técnico Marcelo Fernandes revelou que estabeleceu um prazo com os jogadores do elenco para aguardar a queda do transfer ban antes de novas saídas. Atletas, como o capitão Elvis, já sinalizaram a possibilidade de rever a permanência no clube. “Não é possível uma instituição do tamanho da Ponte Preta não conseguir arrumar o dinheiro e acabar com esse problema”, afirmou o treinador.
O prazo estipulado termina nesta terça-feira (20), véspera da partida contra o São Bernardo. Para derrubar os bloqueios, a Ponte Preta precisa quitar cerca de R$ 2,2 milhões, sendo R$ 1,65 milhão referentes à CNRD e aproximadamente 110 mil dólares (cerca de R$ 592 mil) relativos à Fifa. Caso os valores não sejam pagos, o clube corre o risco de perder mais jogadores e seguir atuando com jovens da base e poucos remanescentes de 2025.
A Ponte Preta enfrenta o São Bernardo nesta quarta-feira (21), às 21h30, no Estádio Moisés Lucarelli.









