Uma nova crise humanitária está se desenrolando na fronteira do Líbano com a Síria, enquanto milhares de pessoas fogem dos bombardeios israelenses ligados à guerra em Gaza.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou o Conselho de Segurança de que “o inferno está se instalando no Líbano” ao longo da linha de separação patrulhada pela ONU. O líder das Nações Unidas relatou trocas de tiros maiores em “alcance, profundidade e intensidade” do que antes.
Durante os discursos na Assembleia Geral, que acabou de ocorrer em Nova York, diversos representantes mundiais ressaltaram preocupação com a escalada da violência no Líbano. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que uma guerra “total” é possível entre o Hezbollah e Israel.
Pessoas abandonam suas casas a cada minuto
A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, relatou pessoas fugindo dos ataques israelenses contra alvos do Hezbollah nas primeiras horas da manhã de quinta-feira. A ofensiva de Israel foi em resposta a ataques realizados pelo Hezbollah, que incluíram uma primeira tentativa de ataque com mísseis a Tel Aviv.
Citando as autoridades libanesas, o Acnur afirmou que mais de 90 mil pessoas foram deslocadas desde 23 de setembro e “mais estão abandonando suas casas a cada minuto”.
Em uma mensagem de vídeo emitida na quinta-feira em Nova Iorque, o chefe das Operações de Manutenção da Paz da ONU, Jean-Pierre Lacroix, disse estar “profundamente preocupado com a escalada acentuada ao longo da linha azul”.
Ele enfatizou que tanto a população libanesa quanto a israelense “estão em extremo perigo, com centenas de mortos e milhares de feridos somente nos últimos dias”. Lacroix alertou que “a segurança e a estabilidade regionais estão em risco”.
Milhares de famílias cruzando para a Síria
O representante do Acnur na Síria, Gonzalo Vargas Llosa, disse que “milhares de famílias de sírios e libaneses estão cruzando para a Síria”, incluindo mulheres e crianças.
O exército israelense anunciou ataques a mais de 70 alvos durante a noite da última quarta-feira no Vale de Bekaa, no leste no Sul do Líbano. Acredita-se que ambas as áreas sejam redutos do Hezbollah.
Em meio a veículos carregados com pertences amarrados no teto e inúmeras pessoas fazendo longas filas no lado sírio da fronteira, Llosa disse que o Acnur está trabalhando para fornecer água, comida, cobertores e colchões.
Agência ONU News











