O radioncologista Honório Chiminazzo Júnior é testemunha dos avanços da oncologia. Cinco décadas atrás, conta, a taxa de cura de pacientes encaminhados à radioterapia era de 25%, índice que saltou para 75% nos dias atuais. Um dos fundadores do Centro de Oncologia Campinas (COC), o especialista chega aos 80 anos de idade, e 56 de profissão, certo de que seu legado continua a dar frutos. Chiminazzo emprestará o nome à nova Unidade de Radioterapia a ser inaugurada nesta sexta-feira (29) pelo COC – uma instalação de vanguarda, como aquela que ajudou a construir em 1977.
Em algum momento do curso da doença, mais da metade das pessoas com câncer precisará ser submetida à radioterapia. O problema é que o tratamento é inacessível à boa parte dos pacientes. Segundo censo realizado pelo Ministério da Saúde, o País dispõe de metade dos equipamentos necessários para atender a demanda de pacientes.

Investimentos de R$ 15 milhões possibilitaram ao Centro de Oncologia Campinas iniciar a operação de um novo acelerador linear de partículas, cuja alta tecnologia agregada permitirá, por exemplo, realizar tratamentos mais curtos e precisos, o que implicará no atendimento de um maior número de pacientes.
O acelerador traz os recursos mais avançados em uso na oncologia mundial e tem a capacidade de duplicar o número diário de sessões realizadas pela instituição. Características que fazem Honório Chiminazzo se orgulhar por saber que a proposta que lançou há 45 anos, ao criar o COC, se mantém firme.
“Naquela época, um grupo de médicos daqui se apegou ao ideal de que Campinas merecia ter um centro de tratamento de câncer à altura do que o município representava para o País na área médica. Trouxemos então para o COC o melhor equipamento de radioterapia em uso no mundo. Fico feliz em ver que esse ideal de pioneirismo se mantém até hoje e que a cidade segue na vanguarda do tratamento”, descreve.
O equipamento que chegou a Campinas no final dos anos 1970, um Sagittarius fabricado pela GE, por pouco não precisou ser devolvido ao fabricante. Faltavam recursos para conseguir pagar a máquina, que oferecia a melhor tecnologia mundial disponível na época.
“Nossa intenção era conseguir uma linha de crédito amortizada e pagar parte do valor com tratamentos para o Inamps (equivalente ao INSS), mas nada disso deu certo. Foi então que conseguimos uma matéria no Fantástico. A coisa repercutiu, a pressão começou e fomos recebidos pelo ministro da Previdência, Jair Soares. Voltamos com a garantia de que o aparelho não seria devolvido”, recorda. Chiminazzo se lembra também que foram necessários 15 anos para pagar o financiamento do aparelho.
A inauguração do novo acelerador linear de partículas para radioterapia Infinity é simbólica. Para entrar em operação, o equipamento depende da liberação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). Toda a documentação foi enviada à comissão e assim que a licença for emitida, o acelerador iniciará o tratamento de pacientes.

A ampliação do serviço de radioterapia também integra as ações de comemoração dos 45 anos de fundação do Centro de Oncologia Campinas.
Funcionalidades
Para abrigar o novo equipamento, o Centro de Oncologia Campinas precisou desenvolver um projeto especial da sala onde foi instalado, um espaço de 140 metros quadrados, especialmente blindado.
O Elekta Infinity é multifuncional. Com maiores recursos, sessões mais rápidas e menor número de aplicações, oferece resultados até superiores aos dos aparelhos convencionais. O novo acelerador linear possui controle de localização realizado com Rraio X e com tomografia computadorizada, o que que acrescenta segurança e agilidade ao tratamento.
Com ele é possível realizar uma rápida tomografia da área que se quer tratar, para checar se o paciente está corretamente posicionado, e se o tumor se modificou em formato ou tamanho. Tudo é feito no momento da aplicação, sem tirar o paciente da mesa.
Outra característica do Elekta Infinity é a capacidade de localizar a lesão tumoral com precisão, o que contribui para poupar os tecidos saudáveis ao redor do tumor. Essa particularidade também permite a aplicação de doses maiores de radiação nos tumores, sem colocar em risco a segurança do paciente nem afetar órgãos e tecidos próximos.

Mapeamento
A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) mapeou os equipamentos para radioterapia em uso no Brasil. Além de concluir que são insuficientes, destacou que a obsolescência é também preocupante. O estudo foi realizado como parte do projeto RT2030, cuja finalidade é oferecer tratamento radioterápico acessível a todos os brasileiros até 2030.
De acordo com o mapeamento, o Brasil precisará de 121 novas máquinas para dar conta de demanda projetada. Isso elevaria os atuais 409 aceleradores de partículas para 530 em menos de dez anos. Ocorre que 213 máquinas em operação ficarão obsoletas até 2030 e terão de ser substituídas, o que aumenta a conta para 334 novos aparelhos.







