Uma viagem planejada para a realização de um antigo sonho transformou-se em uma corrida contra o tempo para uma família de Campinas. O professor de história Wagner de Oliveira Fernandes, de 78 anos, com atuação em cursinhos pré-vestibulares na região de Campinas, está internado em estado grave em um hospital particular da Cidade do México após sofrer uma sequência de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs).
Com o professor sem condições clínicas de retornar ao Brasil em voo comercial, os familiares promovem uma campanha de arrecadação para viabilizar a repatriação por meio de uma UTI aérea.
Wagner chegou à capital mexicana no dia 9 de dezembro, acompanhado da esposa, Silvana Penachione, e de uma das filhas. Ainda no dia da chegada, apresentou uma arritmia cardíaca e precisou de atendimento médico, permanecendo internado. Mesmo medicado, o quadro persistiu, com episódios de cansaço extremo e taquicardia.
Diante da situação, a família sugeriu a realização de uma cardioversão, procedimento ao qual o professor já havia sido submetido anteriormente, com boa resposta clínica. No entanto, a equipe médica optou por uma ablação cardíaca, intervenção mais complexa.
Após o procedimento, realizado no dia 12, Wagner apresentou sinais neurológicos graves. Apesar das tentativas de contenção, o idoso sofreu um AVC extenso, seguido por outros eventos isquêmicos, o que agravou significativamente o quadro.
Desde então, Wagner permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), entubado, em estado considerado grave. Após cerca de duas semanas sob sedação contínua, o professor teve redução da medicação, mas segue dependente de ventilação mecânica e passou recentemente por uma traqueostomia.
Segundo a família, o lado direito do corpo permanece paralisado, e as respostas neurológicas ainda são limitadas.
CAMPANHA
Enquanto enfrentam a complexidade do quadro clínico, os familiares lidam com o alto custo da repatriação. Para que o transporte ao Brasil ocorra com segurança, é necessária uma UTI aérea, cujo valor estimado é de aproximadamente R$ 650 mil.
Até a manhã desta quarta-feira (7), a vaquinha on-line criada para custear o traslado havia arrecadado R$ 208.660,87, com a contribuição de 2.052 pessoas, valor ainda distante do total necessário. A campanha está disponível no link https://campanhadobem.com.br/campanhas/apoio-pro-wagner-no-mexico#/

O apelo por ajuda ganhou ainda mais urgência após um terremoto atingir a Cidade do México na sexta-feira (2), com magnitude 6,5. O hospital onde Wagner está internado foi parcialmente evacuado por medida de segurança, mantendo apenas pacientes em estado crítico.
A reportagem conversou rapidamente com a esposa do professor, Silvana Penachione, na manhã de quarta-feira (7). Ela informou que a família está em tratativas para a transferência de Wagner para outra unidade hospitalar, já que o prédio onde ele estava internado foi afetado pelo tremor.
Segundo ela, a mudança busca garantir maior segurança e estabilidade clínica enquanto seguem as tentativas de viabilizar a repatriação ao Brasil.
A campanha tem sido divulgada nas redes sociais do professor (https://www.instagram.com/apoioprowagner/) e conta com o apoio de ex-alunos, colegas de profissão e personalidades públicas. Os familiares também tentam sensibilizar empresas especializadas em transporte aeromédico e companhias aéreas que mantêm programas humanitários, embora, até o momento, não tenham obtido confirmação de apoio.
O Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso desde 13 de dezembro, prestando assistência consular à família por meio do Consulado-Geral do Brasil na Cidade do México. A pasta reforçou que a legislação brasileira não prevê o custeio de despesas hospitalares nem de transporte em UTI aérea.
Segundo o Itamaraty, a repatriação é considerada medida excepcional e depende da comprovação de situação de desvalimento, além da impossibilidade de retorno por meio de recursos próprios ou de terceiros. Mesmo quando autorizada, a legislação permite apenas o retorno em classe econômica até o primeiro ponto de entrada no território nacional.
Enquanto aguardam respostas das autoridades e o avanço da arrecadação, os familiares mantêm a mobilização nas redes sociais e reforçam o pedido de solidariedade.
Para a família, trazer Wagner de volta ao Brasil representa a chance de continuidade do tratamento em um ambiente próximo de parentes, amigos e da rede de apoio que se formou em torno do professor.







