A Secretaria de Saúde de Campinas iniciou nesta quarta-feira (29) a ampliação da vacinação para residentes em áreas de risco para febre amarela e viajantes. A medida, alinhada junto ao governo do estado, ocorre após casos confirmados da doença em cidades próximas localizadas em São Paulo e Minas Gerais: Socorro, Tuiuti, Joanópolis e Camanducaia.
Além disso, a Pasta encontrou no último dia 20 um macaco morto na região do bairro Carlos Gomes que testou positivo para a doença. O resultado da análise saiu no fim da tarde desta terça (28).
Há ainda, neste momento, surto em animais nas cidades de Ribeirão Preto, Pedra Bela, Bragança, Pinhalzinho e Socorro, de acordo com a secretaria. Os agentes da Pasta, enfatizam que os macacos não são transmissores, mas, sim, vítimas da doença. A presença de primatas doentes serve como “alerta” aos órgãos da saúde sobre a circulação do vírus, uma vez que quando contaminados eles dificilmente sobrevivem, afirmam os especialistas.
“Os registros de febre amarela em cidades da região indicam a circulação do vírus da febre amarela e o aumento do risco de infecção para pessoas expostas ao mosquito transmissor em áreas de floresta, mata fechada, borda de mata e regiões rurais nos estados de São Paulo e Minas Gerais”, frisa a Secretaria.
Situação de Campinas
O último caso humano de febre amarela silvestre contraída em Campinas foi de um homem em 2017, que esteve na zona rural da área atendida pelo Centro de Saúde (CS) Sousas. O caso evoluiu para cura. Já a febre amarela urbana teve o último caso no Brasil em 1942.
A metrópole também não registrava casos positivos da doença em macacos desde 2019.
A forma da doença que ocorre no Brasil é a febre amarela silvestre, transmitida pelos mosquitos Haemagogus e o Sabethes, em regiões fora dos centros urbanos. É uma doença grave, que se caracteriza por febre repentina, calafrios, dor de cabeça, náuseas e leva a sangramentos no fígado, no cérebro e nos rins, podendo, em muitos casos, causar a morte.
Vacinação ampliada
A prevenção contra a febre amarela é a vacinação, explica a Secretaria Municipal de Saúde. Em Campinas, todos os moradores a partir de 9 meses, que ainda não receberam a dose, devem ir aos CSs para aplicação.
A partir desta quarta, a Saúde iniciou um trabalho temporário para intensificar a vacinação em grupos localizados em áreas de risco de Campinas. Juntos, eles estão estimados em 1,9 mil pessoas, contudo, parte já recebeu imunizantes durante campanhas anteriores:
- Crianças de 6 a 8 meses: recebem uma dose durante a ação. Os responsáveis serão orientados para garantirem a vacinação completa, sendo: uma dose aos 9 meses e uma dose de reforço aos 4 anos.
- Pessoas com 60 anos ou mais: a vacinação será realizada dependendo da avaliação do risco relacionado às comorbidades, doenças autoimunes, tratamentos específicos ou uso contínuo de medicamentos que contraindiquem a aplicação da vacina febre amarela nessa faixa etária.
- Gestantes e mulheres que estejam amamentando crianças com até 6 meses: são orientadas a suspender a amamentação por dez dias após a vacinação e recebem as recomendações para extração e armazenamento do leite materno antes da vacinação. Dessa forma o aleitamento neste período pode ser garantido.
“Moradores das áreas urbanas que visitam ou frequentam áreas de floresta, mata fechada, borda de mata e região rural devem receber uma dose dentro dos critérios de ampliação de vacinação”, explicou a enfermeira Cíntia Bastos, do Programa de Imunização de Campinas.
Antes desta medida, o esquema de rotina já ocorria da seguinte forma:
- Crianças: 1 dose com 9 meses e 1 dose de reforço aos 4 anos.
- A partir de 5 anos, adolescentes e adultos: uma dose. Quem não tiver comprovante ou certeza de que já recebeu o imunizante, e se não houver registro em sistema do SUS Municipal, deve receber nova vacina.
Em 2024, a cobertura ficou em 83,6%, abaixo da meta de 95% orientada pelo Ministério da Saúde. Este percentual ainda está sujeito a revisão, mas neste momento é superior aos índices de 2023 e 2022, quando foram contabilizados, respectivamente, 82,8% e 70,9%, informa a Pasta.
As salas de aplicação da dose funcionam conforme horário de cada centro de saúde. Os endereços e contatos estão no site: https://vacina.campinas.sp.gov.br.
Transmissão
A Secretaria de Saúde de Campinas ressalta ainda que a febre amarela não é transmitida no contato com uma pessoa ou animal infectado, já que não é contagiosa.
A Saúde orienta que a ocorrência de macacos mortos em Campinas, de qualquer espécie, como saguis, bugios ou macacos-prego (mesmo em estágio avançado de decomposição), deve ser comunicada para a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), pelos telefones: (19) 2515-7044 – de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h: 199- após às 17h em dias úteis e finais de semana e feriados.
Viagens para o Exterior
A Saúde ainda alerta as pessoas que forem viajar para fora do Brasil para a necessidade de obter informações sobre a exigência sanitária de alguns países por meio do site da Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa).
“Para obter o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP) é necessário receber a vacina pelo menos 15 dias antes do embarque para conseguir proteção adequada e emissão do documento”, esclarece a Pasta. “Já as demais pessoas são consideradas imunizadas contra a febre amarela dez dias após a aplicação da dose”.
O uso de repelentes é recomendado pela Saúde para evitar picadas do mosquito, principalmente entre pessoas que ainda não tenham recebido a vacina. Outra recomendação é para quem frequentou recentemente locais de mata ou regiões rurais: “procure um centro de saúde se tiver febre acompanhada de um ou mais dos sintomas: dor de cabeça, dor no corpo, náuseas e vômitos, urina escurecida, olhos amarelados ou sangramentos”, orientam os agentes.