Como explicar para as crianças e até adultos sobre o transtorno do espectro autista? Como trabalhar a inclusão e a diversidade na sociedade? Sobre o tema, a Fundação Educar está lançando Meu Silêncio Colorido, escrito por Mariana Reade e ilustrado por Ricardo Quintana e Larissa Ballaminut (ambos do Estudio Pandora) e Gabriel Silva. A publicação convida crianças e adultos a mergulharem no tema de maneira lúdica, delicada e profundamente reflexiva.
O livro Meu Silêncio Colorido estará disponível para download gratuito no site da Fundação Educar e está sendo lançado na sede da Educar, em Campinas, nesta quinta-feira (15), com a presença da escritora, dos ilustradores e de 60 estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental da E.E. Residencial São José.
No evento está programado um debate onde os alunos convidados poderão discutir não só a história e a relevância do tema abordado no livro, mas também trocar ideias com os autores sobre todo o processo de escrita, ilustração e construção de uma obra literária. Esses estudantes, que foram os primeiros leitores do livro, realizaram um trabalho prévio com a obra, explorando temas como respeito, inclusão e diversidade.
O livro conta a história de Yuri, um menino de 8 anos com transtorno do espectro autista, que fala poucas palavras, mas entende tudo. Na história, ele resolve escrever uma carta para a Fada Sofia com o seguinte questionamento: “O que eu preciso fazer para me enxergarem como sou?”. Enquanto espera a resposta da fada, Yuri conta como funciona seu cérebro, o que o deixa triste, os lugares muito barulhentos que ele não gosta de frequentar, e suas potencialidades, como, por exemplo, se expressar por meio da pintura. A narrativa convida os leitores a refletirem sobre sentimentos, o que fazem quando se chateiam e quais são suas potencialidades, chamadas pelo personagem de superpoderes.
Mariana Reade, autora de diversos livros infantis, é jornalista e roteirista especializada em comunicação de impacto social, diversidade e inclusão. Para ela, Meu Silêncio Colorido é um convite à percepção de que um mundo diverso é um mundo mais potente.
“Ao questionar estereótipos, contrapondo-os à rica individualidade do ser humano, busco demonstrar o valor das diferenças. Assim como é perfeitamente possível compreender esse valor ao resgatar a riqueza nas diferenças de gênero, cor e origem social, entre tantas outras, em Meu Silêncio Colorido abraço o tema da neurodiversidade. Dedico minha escrita à construção de um conhecimento que reconheça que uma criança da neurodiversidade é uma fonte de ensinamentos sobre como lidamos com os outros e vivemos em sociedade”, afirma a autora.
As ilustrações foram feitas pelo Estúdio Pandora e contaram com a participação do jovem Gabriel Silva, que está no espectro autista. Uma de suas potencialidades é desenhar pássaros e flores, e suas ilustrações permeiam várias páginas do livro. A obra contou com a chancela da APAE de Brotas.
Com projeto editorial coordenado pela Fundação Educar, o livro passa a integrar o acervo do projeto Leia Comigo!, uma iniciativa que há mais de 24 anos distribui livros gratuitamente a escolas públicas, bibliotecas e iniciativas de organizações sem fins lucrativos.
“Promover temáticas sobre inclusão é essencial para alcançarmos uma sociedade saudável, justa e para todas as pessoas. Meu Silêncio Colorido” reflete o compromisso da Educar de não apenas estimular a leitura, mas também incentivar famílias e escolas a abordarem questões que promovam uma cultura mais empática e inclusiva. Nosso objetivo é provocar conversas significativas e construir um mundo onde todas as crianças sejam compreendidas e acolhidas. Que esta obra inspire todos a abraçarem a diversidade com amor e compreensão”, destaca Cristiane Stefanelli, gestora da Fundação Educar.







