Uma locomotiva diesel-elétrica histórica está prestes a voltar aos trilhos no tradicional trajeto ferroviário, entre Campinas e Jaguariúna, após passar por um longo processo de recuperação do motor. Trata-se de uma Cooper, de 1947, que somada a mais outras duas da série, dará novamente o reforço ao transporte de passageiros que buscam o passeio de Maria Fumaça.
O diretor administrativo da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) – regional Campinas, Hélio Gazetta, explica que a locomotiva em foco, identificada pelo número 3128, é uma diesel-elétrica de primeira geração, e que por décadas operou pela companhia Estrada de Ferro Sorocabana (EFS).
A máquina precisou de reparos no motor, e em paralelo recebeu melhorias na funilaria. A pintura verde escura mantém a originalidade desde a década de 40.
O diretor explicou ao Hora Campinas, durante visita à oficina da estação Carlos Gomes nesta semana, que a locomotiva foi adquirida pela ABPF no final dos anos 1990. Desde então, ela alterna operação com outras duas máquinas da mesma série, todas essenciais para atender ao aumento da demanda no trajeto turístico.
Segundo Gazetta, nos últimos dez anos o número de passageiros praticamente dobrou.
“Antes operávamos com cinco ou seis carros aos finais de semana. Hoje chegamos a puxar até 12, um aumento significativo”, explica. Essa expansão tornou inviável manter exclusivamente o uso das locomotivas a vapor, que exigem manutenção constante e mão de obra especializada.
“A tração mista com locomotivas diesel tem nos permitido preservar melhor as máquinas a vapor, que hoje operam de forma alternada ou em conjunto com as elétricas”, diz.
Além da locomitiva 3128, o trecho conta com outras duas da mesma série: a 3104, adquirida em 2021, e uma unidade de 1953 incorporada ao passeio em 2013.

As locomotivas diesel-elétricas utilizam motor a combustão para acionar um gerador, que fornece energia elétrica aos motores de tração. Embora não sejam extremamente potentes, têm capacidade ideal para os 48 quilômetros de ida e volta do trajeto turístico.
“Essas locomotivas carregavam tanto passageiros quanto cargas. Para o trecho entre Campinas e Jaguariúna, são perfeitas para levar até sete carros de forma eficiente”, destaca Gazetta.
Outro motivo para a introdução das ‘diesel-elétricas’ é por causa do risco que as locomotivas a vapor podem provocar ao meio ambiente, principalmente em épocas de seca. O motivo são as fagulhas provocadas pela queima da madeira, como combustível nessas locomotivas.

Novo Investimento
A associação, que não tem fins lucrativos e se dedica à preservação do patrimônio ferroviário, busca agora viabilizar a aquisição de uma nova locomotiva diesel-elétrica do modelo G12 — mais potente e fabricada na década de 1950. O investimento necessário gira em torno de R$ 2 milhões, incluindo compra e restauração.
Atualmente, a oficina da ABPF em Campinas conta com sete funcionários e três prestadores terceirizados. “Temos serviço para os próximos 30 anos”, brinca Gazetta.
Para a manutenção dos trilhos, recentemente a associação adquiriu uma retroescavadeira e a adaptou para ferrovia; um investimento de aproximadamente R$ 150 mil.
Histórico
A introdução de locomotivas diesel-elétricas no Brasil começou na década de 1930, com locomotivas para teste na Viação Férrea Federal do Leste Brasileiro na Bahia.
Mas foi a Estrada de Ferro Central do Brasil, a partir de 1939, que iniciou um verdadeiro programa de “dieselização” de seu parque de tração, com a compra de locomotivas novas em larga escala, estudadas e pensadas para atender suas diversas necessidades de transporte, em substituição as locomotivas a vapor.

As vantagens e economia demonstradas por esse programa chamaram a atenção de diversas outras ferrovias no Brasil. A Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) encomendou, então, o modelo de 64 toneladas, 6 eixos, 600 hp (cavalos) de potência, especialmente projetado para as condições restritivas de linhas secundárias dessa ferrovia.
Fabricadas pela General Electric entre 1947 e 1948, um lote de 42 locomotivas numeradas de 3101 até 3142 eram recebidas. Equipadas com motor diesel de 6 cilindros em linha fabricado pela Cooper-Bessemer.
Logo acabaram ganhando apelidos variados, os mais comuns GE-Cooper, Cooper, “3100” (relativo à sua série numérica) e um pouco depois com a chegada de máquinas maiores, “Geézinha”.







