Chama a atenção de quem passa pela Avenida Nelson Ferreira de Souza, no Jardim Florence, a horta comunitária cultivada na esquina da rua Osvaldo Peralva, um projeto em plena expansão que dá mais qualidade de vida aos moradores e, ainda, proporciona alimentos saudáveis para a comunidade. Iniciado em julho de 2023, o programa, intitulado “Campinas Solidária e Sustentável”, já cresceu significativamente em seu primeiro ano de existência.
A área de cultivo, que começou com 100 metros quadrados, hoje já mede 500. Mais de 8 mil mudas de 100 espécies já foram plantadas. O programa é fruto de uma parceria da Prefeitura de Campinas com a Federação das Entidades Assistenciais de Campinas (Fundação FEAC) e a Organização da Sociedade Civil (OSC) Pé de Feijão.
Resultados
O resultado das colheitas tem feito a diferença na vida dos beneficiários. É o caso do mecânico João Aparecido Proêncio, 63, que após se aposentar decidiu ajudar com o que pudesse. “A horta foi muito importante para mim. Tudo o que fazemos aqui e produzimos por meio dela beneficia muitos e faz a gente se sentir útil”, afirmou.
A iniciativa atraiu também a professora aposentada Eva Soares da Silva, 56, que deu aulas aos filhos de Proêncio. “Eu amo mexer com terra. Na pandemia fiz muito cursinho para aprender sobre plantas até que surgiu a horta aqui. Um dia passei e falei que tinha interesse em vir ajudar. Vim e aprendi muito com os cursos” conta Eva, se referindo às oficinas prestadas pela Pé de Feijão.
A assessora do departamento de segurança alimentar e nutricional da Prefeitura, Viviane Aparecida Rodrigo de Grandi, explica como as aulas da OSC contribuem para o aprendizado de quem se propôs a cuidar da horta. “Eles vêm toda terça-feira e ensinam sobre diversas coisas, como, por exemplo, os tipos de planta, como podar, cuidar do terreno e da composteira. É ótimo”, explicou Grandi.

Projeto para a comunidade
A responsável por acompanhar o projeto explica também que desde o início o objetivo era formar algo para a comunidade e da própria comunidade.
“Isso foi pensado desde o começo, quando o projeto foi montado. O objetivo era oferecer segurança alimentar e acessível. Tudo aqui é orgânico, algo saudável que chega à mesa das pessoas. A Secretaria Municipal de Serviços Públicos contribuiu com um composto orgânico, já aprovado pelas autoridades federais, usado no cultivo. Com o apoio da Prefeitura, a comunidade é a própria beneficiária do seu trabalho. Eles plantam e consomem”, explica Grandi.
Já para a agricultora Josefa Ernestina da Silva Viana, 62, a horta deu um novo sentido à vida.
“Eu me sinto muito bem aqui, porque em casa eu vivia só. Tenho um filho, mas ele trabalha. Outra filha que sai 4 horas da madrugada, outra, às 10 horas. E eles chegam todos já de noite. Então, aqui eu me sinto melhor, converso, coloco a mão na terra. Fico à vontade”, afirmou.
Expansão
Com o objetivo de reproduzir o projeto a outros espaços, os responsáveis pelo plantio cuidam de receber excursões escolares e ensinar aos alunos técnicas básicas da horticultura.
“Recebemos da escola municipal Padre Leão Vallerie, do Parque Valença, cinco turmas de alunos do 3° ao 5° ano. As crianças estavam com um projeto de horta na escola e queriam aprender mais. Saiu até em um jornalzinho de bairro que produziram”, contou a professora aposentada Eva Soares da Silva.
A assessora Viviane Grandi lembra que houve ainda uma ação da Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade (Seclimas) para o Dia do Meio Ambiente. Algumas mudinhas e sementes que sobraram foram entregues às crianças para serem plantadas na escola. Ela conta que os alunos, depois, enviaram fotos do grupo comendo a alface que eles mesmos plantaram.
O programa
A área da horta do Jardim Florence, objeto do acordo de cooperação técnica com a Feac, está localizada na região limítrofe entre o Jardim Florence e o Jardim Satélite Íris. Esse projeto será o piloto para futuras implantações de hortas comunitárias na cidade.
A Prefeitura é responsável pela limpeza e conservação do espaço, fornecimento dos insumos necessários para a horta, bem como pelo monitoramento das atividades. À Feac cabe o mapeamento e diagnóstico locais, bem como a mobilização da comunidade para o uso do espaço. A proposta é promover alimentação saudável e, futuramente, geração de renda.







