O ex-meio-campista e ídolo da Ponte Preta Átis Monteiro faleceu nesta quarta-feira (27), aos 93 anos, em Campinas. A Macaca prestou homenagem ao ex-jogador em nota oficial, relembrando seus feitos históricos com a camisa alvinegra. Além da Ponte, ele também defendeu Portuguesa e Fluminense.
O velório de Átis Monteiro será realizado nesta quinta-feira (28), das 9h30 às 12h, na Capela do Cemitério da Saudade, em Campinas.
Nascido e criado no bairro Cambuí, em Campinas, Átis começou a se destacar no esporte aos 12 anos. Praticou natação, remo e basquete, além de brilhar no futebol. Revelado pelo técnico Antônio Peixoto Filho, o Nico, foi promovido ao profissional poucos anos após a inauguração do Moisés Lucarelli, na década de 1950.
Vestindo a camisa alvinegra, disputou 59 partidas, marcou 25 gols e construiu um currículo de feitos que marcaram a história do clube.
Feitos históricos
Entre eles, um dos mais lembrados: em 1952, tornou-se o primeiro jogador da Ponte a marcar três gols em um dérbi contra o Guarani, no histórico 4 a 0, no Majestoso. Naquele dia, Átis abriu o placar logo nos primeiros segundos, voltou a marcar no fim do primeiro tempo e fez o terceiro no início da etapa final. Sabará fechou a goleada aproveitando sobra de chute de Átis, bloqueado pela marcação:
“Só não fiz o quarto porque ele me tomou a bola. Eu já tinha me preparado para marcar”, relembrou em entrevista concedida ao Hora Campinas em 2022. Até hoje, apenas Dario Gigena, em 2003, e Weldon, em 2004, repetiram o feito.
Multiatleta, Átis também brilhou no basquete, integrando a equipe campeã do interior paulista, ao mesmo tempo em que ajudava a Macaca a conquistar o título amador invicto do futebol estadual. Em 1952, esteve em campo na primeira vitória internacional da Ponte: 2 a 0 sobre o Estudiantes de La Plata, da Argentina.

O talento despertou o interesse de grandes clubes. Antes de completar 21 anos, Átis deixou a Ponte para integrar a histórica equipe da Portuguesa, considerada uma das melhores do país na época e que cedeu jogadores à Seleção Brasileira da Copa de 1954. Pouco depois, em 1955, passou a defender o Fluminense, a pedido do técnico Zezé Moreira.
Também em 2022, em entrevista concedida ao Hora Campinas, o conceituado jornalista campineiro e pontepretano Zaiman de Brito Franco, testemunha dos feitos e da habilidade de Átis, o descreveu, utilizando comparações contemporâneas, como “um atacante maravilhoso que conseguia entrar na área tocando a bola com os dois pés, que tinha a lucidez de um Romário e era implacável como Ronaldo, um jogador completo”.
Na nota de pesar, a Ponte ressaltou o ex-atleta como um dos maiores ídolos da história da Macaca: “Átis terá sempre seu nome ligado à Associação Atlética Ponte Preta, que lamenta e se solidariza com amigos e familiares neste momento de luto e de dor”.







