A Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento de Campinas (Sanasa) fecha 2024 ostentando números recordes e premiações que reforçam o seu prestígio no setor. A companhia, uma empresa de economia mista com 99% das ações sob gestão da Prefeitura, alcançou de 2021 a 2024, no atual governo Dário Saadi, um investimento recorde de R$ 1,1 bilhão. A revelação é do presidente da Sanasa, Manuelito Magalhães Júnior, em entrevista exclusiva ao Hora Campinas.
O valor é fruto de receitas próprias e de financiamento buscado junto a agências de fomento. “O que a gente investe é muito maior do que a capacidade de investimento, porque a gente vai buscar financiamento. Toda empresa que é intensiva em capital, elas dependem do acesso a financiamento para fazer os investimentos que são necessários”, explica o executivo.
Na entrevista, Manuelito fala sobre as perspectivas das obras das represas em construção em Pedreira, sobre as críticas a respeito do valor da tarifa de água e esgoto de Campinas, sobre o programa bem-sucedido de redução de perdas na rede, sobre a reputação e os prêmios da Sanasa e sobre a capacidade da cidade de encarar períodos de escassez. “Caro é o serviço que não tem. Você abrir a torneira e não ter água como acontece com cidades vizinhas, esse sim é o serviço caro. A tarifa de Campinas é compatível com o serviço que a Sanasa presta”, opina.
Confira a entrevista abaixo:
Presidente, só neste ano, a Sanasa conquistou pelo menos três premiações importantes: Troféu Transparência 2024 da Anefac, Prêmio Trata Brasil por alcançar metas de saneamento e o primeiro lugar no ranking Acertar do PCJ. A que o sr. credita essas conquistas?
A Sanasa é uma empresa que tem um corpo técnico extremamente qualificado, e Campinas tem feito a lição de casa no saneamento. Feito os investimentos que são necessários para universalizar o saneamento. Por isso que nós alcançamos a universalização 10 anos antes do prazo legal, que é 2033. E o que é universalizar o saneamento? É levar a água potável, com qualidade, regularidade, para pelo menos 99% da população. Nós hoje estamos atingindo o percentual dos 99,9% da população recebendo a água tratada potável, com regularidade e qualidade. E fazer pelo menos 90% da população, com coleta e tratamento de esgoto. Hoje estamos com 97% da população com coleta e afastamento de esgoto, e 94% com tratamento de esgoto. Então, a premiação reflete o esforço da cidade de Campinas em investir no saneamento, e faz isso através de uma empresa que é uma das referências do mercado nacional e internacional do saneamento, que é a Sanasa.
A Sanasa vem sendo um importante aliado do Executivo municipal no papel de investidor em saneamento e qualidade de vida.
Esse modelo da Sanasa, que é uma empresa de economia mista, eu reputo como o melhor modelo do saneamento brasileiro. Alcançou os melhores resultados com esse modelo de economia mista, porque permite independência e flexibilidade na execução dos investimentos. Você não depende daquelas restrições no setor do orçamento público.
Quanto da receita da empresa é destinada para essas obras anualmente?
O que a gente investe é muito maior do que a capacidade de investimento, porque a gente vai buscar financiamento. Toda empresa que é intensiva em capital, elas dependem do acesso a financiamento para fazer os investimentos que são necessários. Então, do período de 2021 a 2024, a Sanasa investiu mais de R$ 1,1 bilhão de recursos. É um investimento recorde histórico para a empresa. E isso equivale a quatro anos em um ano de receita. Lembrando que a receita da empresa não é só para investimento. Ela tem que pagar a operação e a manutenção do sistema já existente. Tem que tratar água, tem que tratar esgoto e isso custa muito caro.
A Sanasa acabou de anunciar a troca de 460km de rede de água dentro do Programa de Redução de Perdas. Qual a meta a partir de 2025?
Por que o programa de redução de perdas é tão importante? Por que que a Sanasa virou uma referência no Brasil em programas de perda? Porque nós vivemos numa região de extrema escassez. A Região Metropolitana de Campinas, a Bacia do PCJ, tem indicadores de escassez hídrica iguais ou piores do que a Região Metropolitana de São Paulo. Nossos indicadores de disponibilidade hídrica por habitante são muito baixos. Então é importante que a gente faça um trabalho de redução de perdas para evitar tirar água dos rios. Nós temos cidades aqui na região que perdem 50% de água. A Sanasa está perdendo hoje pouco mais de 36%. O Brasil, em geral perde 38%, países como a França perdem 20%, então estamos alcançando patamares que a gente achava que era possível. Então nós propusemos em quatro anos trocar 450 km de rede. Pois esse era o montante que havia sido trocado nos 27 anos anteriores a 2020. Para nossa felicidade alcançamos em novembro do ano passado 464 km de troca de redes. Com isso evitamos vazamentos subterrâneos, que nem sempre são percebidos. Também começamos a utilizar esse ano a inteligência artificial através de uma parceria com a Amanco e a Microsoft, para a detecção de vazamentos, para reduzir ainda mais nosso índice de perdas.
Qual será o impacto da construção das barragens em Pedreira para o armazenamento e gestão da água em Campinas?
O plano de captação que a gente chamou de sistema produtor Campinas-Jaguari fazia parte do Campinas 2030. As barragens nós estamos agora fazendo os estudos técnicos necessários para contratar obras, estudo de viabilidade, e o Estado está construindo as represas, com planejamento de entregar as obras em 2027. O nosso planejamento é começar entre 2026 e 2027 a fazer esse sistema de captação, que é complexo, que busca água na represa, leva até uma estação de tratamento e depois fazer a integração com a tubulação que abastece a cidade. Estamos indo buscar água a quase 30 km. A nossa expectativa é que sejamos autorizados a captar até 2 mil litros por segundo. Mas ainda precisamos saber como será a outorga definitiva.
Em 2015, Campinas viveu séria crise de escassez por conta da estiagem. As mudanças climáticas vieram para ficar. A cidade está hoje mais preparada do que há 10 anos?
Não tenho a menor dúvida. Até porque nós entregamos entre 2021 e 2024, um total de 20 novos reservatórios de água potável, e isso melhora muito a resposta da cidade para esses episódios em que a gente tem dificuldade em captação. A cidade está muito mais preparada do que em 2014, e também fizemos investimentos em adutoras que nos permitem flexibilizar o sistema, ou seja, transpor água de um bairro a outro para solucionar algum problema de desabastecimento. Ajuda muito a fazer a gestão da água na cidade.
O que o sr. tem a dizer para aqueles campineiros que consideram a tarifa de água em Campinas muito cara?
Caro é o serviço que não tem. Você abrir a torneira e não ter água como acontece com cidades vizinhas, esse sim é o serviço caro. A tarifa de Campinas é compatível com o serviço que a Sanasa presta. As pessoas tem água todo dia, e tem coleta e tratamento de esgoto. Quer dizer, muitas das cidades fingem que cobram tarifa, porque cobram um valor irrisório, porque não têm a contraprestação de serviços. Essa é a tarifa cara: você paga um valor que às vezes é muito menor que Campinas mas não tem o serviço. Quando pega a nossa tarifa e compara com outras cidades, Campinas não é tarifa mais cara.
O prefeito Dário Saadi fez mudanças pontuais em seu primeiro escalão no primeiro mandato. O sr. espera seguir na próxima gestão?
Esse é um tema que eu só posso discutir com uma pessoa, que é o prefeito. (risos)







