O Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos com instalações de máxima contenção biológica (NB4), inédito na América Latina, será o primeiro do mundo conectado a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius. O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) deu início, na última quinta-feira (21), à fase de fundação e instalação de estacas do prédio que abrigará o novo centro em Campinas.
As fundações fazem parte da etapa que prepara o solo para receber as edificações de forma estável e segura. Nelas serão fixados os elementos estruturais que sustentarão o edifício. Antes do início do estaqueamento, as equipes técnicas responsáveis pela obra realizaram uma série de testes.
A previsão é que a fundação seja concluída até o fim deste ano. Em 2026, terá início a montagem da estrutura e do sistema de cobertura, com a construção da parte visível do prédio. A conclusão das obras físicas está prevista para 2027.
O projeto reunirá técnicas analíticas e competências avançadas de bioimagens, que serão abertas à comunidade científica e órgãos públicos. Ao possibilitar o avanço do conhecimento sobre patógenos e doenças correlatas, o Orion subsidiará ações de vigilância e política em saúde, assim como o desenvolvimento de métodos de diagnóstico, vacinas, tratamentos e estratégias epidemiológicas. Instrumento de apoio à soberania nacional no enfrentamento de crises sanitárias, o Orion tem o potencial de beneficiar diversas áreas, como saúde, ciência e tecnologia, defesa e meio ambiente.
O diretor-geral do CNPEM, Antonio José Roque da Silva, acompanhou o início dos trabalhos no canteiro de obras. Ele destacou a complexidade da construção e sua importância estratégica para o Brasil. “É um equipamento que trará um potencial muito grande para o país. Vivenciamos uma pandemia há poucos anos e entendemos a importância de ter capacidade de estudar e combater esses patógenos. O Orion vai contribuir para que o Brasil tenha soberania em uma área fundamental para a sociedade. É uma obra complexa, que exigiu aprendizado com visitas a outros laboratórios do mundo, já que o país não tinha referência. Hoje me arrisco a dizer que o Brasil talvez tenha uma das equipes mais capacitadas do mundo para projetar uma estrutura como essa”, afirmou.

“O projeto passou pelas fases de idealização e conceitualização, em que cientistas e outros setores da sociedade discutiram as necessidades do país. Agora começa uma etapa crucial, a das fundações, com cerca de mil estacas de mais de 20 metros de profundidade. A ideia é concluir tudo antes do fim do ano”, afirmou Sergio Marques, Diretor-Adjunto de Infraestrutura (DAI).
A Diretora do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), Maria Augusta Arruda, contou que a preparação dos profissionais que atuarão no complexo começou há alguns meses.
“Temos várias equipes sendo treinadas internacionalmente. Acabamos de receber de volta uma pesquisadora que passou 12 meses em um laboratório de máxima contenção nos Estados Unidos. Outra preocupação foi a concepção do espaço físico, planejado por especialistas e pesquisadores em cada detalhe”, explicou. Ela acrescentou que há um amplo grupo de doutores em áreas correlatas estudando e definindo as capacidades técnicas contempladas pelo complexo.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o Orion será um marco para a infraestrutura científica do país. “O início das fundações representa um marco histórico para a ciência do Brasil. É um laboratório de máxima contenção biológica (NB4), inédito na América Latina e que vai colocar o país em um patamar de liderança, sendo o primeiro do mundo conectado a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius. O laboratório será essencial para pesquisas em biossegurança, saúde pública e controle de pandemias”, afirmou. A obra integra o Novo PAC, que prioriza investimentos em ciência, tecnologia e em projetos estratégicos definidos pelo governo federal.
A execução do projeto Orion é de responsabilidade do CNPEM, uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O Projeto integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, é financiado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) do MCTI e apoiado pelo Ministério da Saúde (MS). A iniciativa faz parte da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial do Governo Federal, atuando como um instrumento de soberania, competência e segurança nacional nos campos científico e tecnológico para pesquisa, defesa, saúde humana, animal e ambiental. A concepção do Orion deve ainda fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), iniciativa coordenada pelo MS, voltada ao atendimento de demandas prioritárias do Sistema Único de Saúde (SUS).
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade.
As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC).







