Não houve interessados pela compra do estádio do Mogiana durante leilão virtual realizado nesta terça-feira (8), com lance inicial de R$ 28,6 milhões para adquirir o espaço, que pertence ao Governo do Estado de São Paulo e fica localizado no bairro Jardim Guanabara, em Campinas.
Sem nenhuma oferta neste primeiro momento, o Cerecamp será alvo de um novo leilão em breve, ainda sem data prevista nem valor mínimo estipulado, mas pode haver diminuição do lance inicial, a fim de atrair compradores da iniciativa privada. Por ora, o complexo esportivo segue nas mãos do poder público.
“A Coordenadoria de Patrimônio do Estado (CPE), órgão vinculado à Secretaria de Gestão e Governo Digital (SGGD), informa que foi realizado, nesta data, leilão destinado à venda do imóvel referente ao Centro Esportivo e Recreativo de Campinas (Cerecamp). Localizada em uma área de 26,5 mil m², a propriedade, também conhecida como estádio da Mogiana, encontra-se ociosa e faz parte da relação de imóveis do Estado em processo de alienação onerosa. Considerando que não foram apresentadas propostas, novo leilão será agendado”, informou o governo do estado, em nota.
Inaugurado em 1940, o estádio não recebe uma partida oficial com presença de público nas arquibancadas há quase 15 anos e está completamente inativo, sem a realização de nenhuma atividade esportiva desde janeiro de 2023.
Algumas áreas do complexo esportivo, como campo de futebol, arquibancadas e quadra de esportes, são tombadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc). Portanto, qualquer projeto de intervenção terá que passar por autorização desses dois órgãos públicos responsáveis pela preservação de patrimônios históricos.
Para o historiador e pesquisador Fernando Pereira da Silva, caso o Cerecamp não seja arrematado, o melhor caminho seria a municipalização do estádio, aproveitando o atual momento propício, já que foi lançado no último dia 26 de setembro um projeto de lei chamado “O Resgate do Futebol Campineiro”, que busca fortalecer o futebol profissional e amador de Campinas. É encabeçado pela Ponte Preta, pelo Guarani e pela Liga Campineira de Futebol.
“Na semana passada, a Câmara Municipal de Campinas recebeu um projeto para recuperação do futebol campineiro. Que se altere o projeto prevendo também a captação de dinheiro de empresas do município, com desconto em impostos, para recuperação do estádio [Cerecamp], com o Governo Estadual doando a área para Campinas, que passaria a ter um estádio municipal”, sugere Fernando.
Mais sobre o estádio do Mogiana
O octogenário estádio Horácio Antônio da Costa foi inaugurado no dia 14 de julho de 1940, com nome em homenagem ao inspetor-geral da antiga Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, figura fundamental para a viabilização da construção do estádio, que se tornou a casa do antigo Esporte Clube Mogiana, fundado em 1933 e extinto nos anos 70, com o fim da ferrovia.
Com tribuna de honra e cabine de imprensa, além de placar elétrico luminoso, algo inédito no Brasil na época, o estádio do Mogiana surgiu como um dos estádios mais modernos do País, ao lado do Pacaembu, em São Paulo, que havia sido inaugurado três meses antes, em abril de 1940, além de São Januário, no Rio de Janeiro, este mais antigo, de 1927.
Ao todo, entre 1941 e 1950, o estádio do Mogiana serviu de palco para 10 Dérbis entre Guarani e Ponte Preta, inclusive o primeiro clássico noturno entre os rivais campineiros, em 1948, que terminou com goleada bugrina por 5 a 2.
As torres de iluminação haviam sido inauguradas em 1946, num amistoso entre Mogiana e Corinthians, o primeiro jogo noturno da história do futebol campineiro, com vitória do Timão por 3 a 1. Na época, os estádios Moisés Lucarelli e Brinco de Ouro da Princesa ainda não tinham sido inaugurados.
Ao longo da década de 1940, o estádio do Mogiana recebeu todos os quatro grandes clubes do futebol paulista (Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos), bem como importantes times de outros estados e vários craques, como o atacante Leônidas da Silva, artilheiro e melhor jogador da Copa do Mundo de 1938, na França.
Depois da extinção do Esporte Clube Mogiana, no início dos anos 70, em função da crise da ferrovia, que também deixou de existir na mesma época, o local passou para a mãos do governo do estado e ganhou o nome de Cerecamp (Centro Recreativo e Esportivo de Campinas), chegando a receber partidas do Esporte Clube Gazeta, na década de 80, e do Campinas Futebol Clube, nos anos 2000.
Entre 2009 e 2011, o estádio também sediou três edições da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a competição mais tradicional de categorias de base do futebol brasileiro.











