O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou a “turbulência” causada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e defendeu a relação com a China durante a inauguração da nova fábrica da montadora chinesa Great Wall Motors (GWM), nesta sexta-feira (15), em Iracemápolis. Lula esteve acompanhado do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB). O embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, também participou da inauguração.
Lula afirmou que o Brasil vive hoje uma turbulência desnecessária em razão da taxação e das medidas adotadas por Donald Trump.
“O presidente americano resolveu, depois de um momento de provocação, mandar uma carta, dizendo que ia taxar o Brasil em 50%. Fiquei estarrecido, porque ele dizia que os Estados Unidos tinham déficit comercial com o Brasil”, afirmou.
O presidente também criticou a onda de notícias falsas propagada pelo líder norte-americano. “Não posso admitir que um país do tamanho dos EUA possa contar a quantidade de inverdades sobre o Brasil. O Brasil não tem o PIB dos EUA ou da China, mas tem um povo que merece respeito”, disse.
O embaixador chinês elogiou os esforços do líder brasileiro e a relação bilateral. “A China estará ao lado do Brasil para construir, juntos, uma comunidade do futuro compartilhada por um mundo mais justo e um planeta sustentável”, declarou Qingqiao.
Fábrica
O presidente brasileiro agradeceu os investimentos feitos pela montadora chinesa no Brasil. “Enquanto uma empresa americana como a Ford vai embora do Brasil, enquanto a Mercedes-Benz, que foi muito bem tratada aqui em São Paulo, uma empresa alemã, vai embora, vem outra empresa chinesa pra cá”, afirmou.

A planta da GWM, adquirida da Mercedes-Benz em 2021, já conta com cerca de 400 trabalhadores contratados e está preparada para produzir até 50 mil veículos por ano, com foco em modelos híbridos e sustentáveis. A previsão da montadora é que a fábrica paulista gere, até o fim de 2025, de 800 a mil postos de trabalho.
A produção inicial prevista é de 20 mil a 30 mil veículos por ano e deve ser expandida para 50 mil em três anos. No futuro, a GWM pretende chegar a 100 mil carros feitos por ano no local.
Os investimentos já anunciados pela GWM no Brasil são de R$ 10 bilhões, cerca de R$ 4 bilhões de 2022 a 2025 e R$ 6 bilhões de 2026 a 2032. Na fábrica de Iracemápolis, o primeiro modelo a ser produzido será o SUV Haval H6, que contará com versões híbridas.

De acordo com a GWM, no início da produção já haverá conteúdo local nos carros montados em Iracemápolis, o que inclui componentes como pneus, vidros, rodas, bancos e chicotes elétricos, além do processo de pintura dos veículos que deverá ser realizado localmente desde o princípio. O objetivo da empresa é alcançar 60% de nacionalização dentro de três anos.







