Um dos anos mais inesquecíveis da história da Ponte Preta caminha para o fim. Embora dezembro esteja sendo marcado pela preocupação da torcida diante dos desafios financeiros enfrentados pelo clube, 2025 ficará registrado como uma temporada de superação e redenção no Majestoso.
Mesmo convivendo com salários atrasados, transfer ban e instabilidade extracampo, o elenco pontepretano encontrou forças a partir da chegada do técnico Marcelo Fernandes e do apoio da torcida para alcançar feitos históricos: o acesso à Série B e o primeiro título nacional nos 125 anos do clube.
Entre dérbis decisivos, o jogo do acesso e a final, relembre cinco partidas marcantes da campanha da Macaca na Série C.
CSA 1 x 2 Ponte Preta
A segunda partida de Marcelo Fernandes no comando da Ponte Preta já carregava forte pressão. Após vencer o Itabaiana por 1 a 0 na estreia, o treinador precisava administrar um vestiário impactado por salários que entravam no segundo mês de atraso. Para completar, Emerson Santos havia deixado o clube, enquanto Elvis, Jeh e o volante Dudu estavam suspensos.
Já classificada ao quadrangular e ocupando a terceira colocação, a Macaca buscava se manter no G-4 e ainda sonhar com a vice-liderança, que garantiria o direito de decidir em casa o último jogo da fase seguinte – o que acabou fazendo diferença ao longo da competição. Fora de casa, o adversário era o CSA, então 14º colocado e que acabaria rebaixado à Série D.
O cenário se complicou logo aos 19 minutos do primeiro tempo: após erro na saída de bola de Sérgio Raphael, Saimon derrubou Ciel próximo à área e recebeu cartão vermelho direto. Mesmo com um jogador a menos desde o início, a Ponte reagiu.
Aos 12 minutos do segundo tempo, Jonas Toró abriu o placar, marcando seu segundo gol consecutivo na competição. Aos 32, Diego Tavares sofreu pênalti, e o goleiro Diogo Silva assumiu a responsabilidade da cobrança para fazer 2 a 0. O CSA ainda descontou, mas a Ponte saiu de Alagoas com três pontos e uma confiança que se mostraria decisiva na arrancada rumo ao título.
Dérbi 211: Vitória no Brinco
Já classificada após vencer o Londrina na última rodada da primeira fase, a Ponte iniciou o quadrangular diante do maior rival, o Guarani. Mais do que um clássico, o Dérbi 211 tinha caráter decisivo e marcou o reencontro de Marcelo Fernandes com o Brinco de Ouro, estádio onde havia trabalhado meses antes.
Diante de 19.363 torcedores — o maior público de um Dérbi no século —, quem fez a festa foi a Macaca. Após uma confusão nas arquibancadas que paralisou o jogo por sete minutos, Toró marcou no fim do primeiro tempo e garantiu a vitória por 1 a 0.
O resultado encerrou um jejum de oito jogos sem vencer no Brinco, foi a segunda vitória da Ponte sobre o rival em três confrontos no ano e manteve a fase artilheira de Toró, que chegou a quatro gols em quatro partidas consecutivas.
Ponte Preta 1 x 1 Náutico: O jogo do acesso
Embalada por seis vitórias consecutivas sob o comando de Marcelo Fernandes, a Ponte estava a um passo do acesso à Série B. Bastava vencer o Náutico, no Majestoso, independentemente do resultado do outro jogo da chave, entre Guarani e Brusque.

Apesar disso, em uma noite pouco inspirada e sem Jeh, a Macaca viu o Náutico abrir o placar de pênalti, com Bruno Mezenga. O cenário mudou apenas nos acréscimos do segundo tempo, quando Serginho cruzou com precisão para o jovem Miguel, de 20 anos, marcar seu primeiro gol pela Ponte e empatar a partida.
O acesso foi confirmado poucas horas depois, com a derrota do Guarani para o Brusque por 3 a 2, no Estádio Augusto Bauer, selando o retorno da Ponte à Série B.
Dérbi 212: Invencibilidade no clássico e vaga na final
Com o acesso garantido, o clima no Majestoso era de alívio, mas também de motivação. A Ponte precisava de apenas um empate diante o rival, na última rodada do quadrangular, para chegar à final da Série C, enquanto uma derrota colocaria o Guarani na decisão e garantiria o acesso ao rival.
Dentro de campo, a Macaca foi dominante. Aos seis minutos, após cruzamento de Elvis, Bruno Lopes abriu o placar. No segundo tempo, aos 29, Luiz Felipe marcou de cabeça após cobrança de escanteio de Elvis e fechou o 2 a 0.
A vitória classificou a Ponte para a final diante de mais de 17 mil torcedores e fechou o ano invicta nos dérbis: três vitórias e um empate. Além disso, manteve o rival na Série C, após a vitória do Náutico sobre o Brusque, na outra partida da chave.
Ponte Preta 2 x 0 Londrina: O título no Majestoso
O capítulo final de 2025 terminou onde deveria: no Moisés Lucarelli. Após o empate sem gols no jogo de ida, no Paraná, a Ponte Preta precisava vencer o Londrina para conquistar o título.

O primeiro tempo foi equilibrado, com chances para os dois lados. Na etapa final, empurrada por mais de 14 mil torcedores, a Macaca abriu o placar com Jonas Toró, artilheiro da competição, após falha do goleiro Luiz Daniel.
Aos 23 minutos, Toró voltou a brilhar em jogada individual e sofreu pênalti. Após revisão do VAR, Elvis cobrou com categoria e sacramentou o placar em 2 a 0.
O primeiro título nacional da Ponte Preta coroou uma temporada marcada pela superação do elenco, que, mesmo convivendo com salários atrasados durante toda a arrancada, enxergou a oportunidade de fazer história no clube.
A festa tomou conta do Majestoso, com invasão de gramado que impediu a entrega da taça e resultou em punição de duas perdas de mando de campo, além de multa de R$ 71 mil. Apesar disso, o torcedor pontepretano guardará 2025 como o ano em que a Macaca superou adversidades, fez história e conquistou, enfim, seu primeiro título nacional.











