O novo técnico da Ponte Preta, Marcelo Fernandes, foi apresentado nesta terça-feira (12) no Estádio Moisés Lucarelli e já comandou seu primeiro treino com o elenco. Ex-Guarani, o treinador chega com a missão de garantir a classificação da Macaca à próxima fase da Série C e administrar os bastidores em um momento delicado, marcado por atrasos salariais do elenco — que já somam dois meses — e pelo transfer ban imposto pela Câmara Nacional de Resoluções de Disputas (CNRD) da CBF, que impede o clube de registrar novas contratações.
Apesar das dificuldades, Marcelo disse ter encontrado um ambiente positivo no vestiário. “A recepção foi muito boa, encontrei um elenco leve e tranquilo. São jogadores que estão querendo muito, focados no trabalho, com muita vontade de conseguir o objetivo da Ponte Preta, que é a classificação, e depois o acesso”, declarou.
Cenário financeiro e saída do rival
O técnico revelou que, antes de sua chegada, o presidente Marco Eberlin reuniu o elenco para expor a situação financeira e oferecer a possibilidade de rescisão para quem quisesse sair — como ocorreu com Maguinho e Jean Dias.
“Aqui quem vai ficar é quem está querendo ficar na Ponte Preta. Ninguém procurou a direção, muito pelo contrário. Todos estão com a cabeça aqui dentro, sabem das dificuldades que têm. O presidente também deixou eles tranquilos do que está acontecendo e do que vai conseguir solucionar. Não adianta a gente falar, a gente tem que mostrar no campo”, disse. O novo prazo definido pela diretoria para quitar os salários é 21 de agosto.
Além do atraso salarial, a Ponte também está impedida de registrar novos jogadores, mesmo com a janela de transferências aberta, devido ao transfer ban imposto pela Câmara Nacional de Resoluções de Disputas (CNRD) após o atraso no pagamento de um acordo feito com a entidade.
Quanto à impossibilidade de reforçar o time, Marcelo minimizou a preocupação: “Nosso grupo é muito bom. Confio muito nos jogadores e com certeza eles vão dar conta do recado”.
Além das questões financeiras, o treinador também destacou que sua recém saída do Guarani, rival histórico da Ponte, não influenciará no novo trabalho: “A rivalidade existe. Eu trabalhei num clube onde fui dispensado, fiquei livre no mercado e outra grande equipe me chamou. Não vejo problema nisso. Eu sou um profissional que aprendi muito a respeitar todas as instituições que eu passei. Eu faço o meu trabalho, me dedico muito à instituição que eu estou, e com a Ponte Preta não vai ser diferente”, afirmou. O técnico esteve no Guarani entre abril e julho deste ano e comandou a equipe em 11 jogos da Série C.
Primeiros treinos
No treino desta quarta-feira (13), seu segundo à frente do time, Fernandes iniciou testes para o jogo contra o Itabaiana, sábado (17), às 17h, no Moisés Lucarelli. Sem o meia Luiz Felipe, suspenso, e o atacante Everton Brito, com problemas musculares e no joelho, o treinador trabalhou um ataque com Jeh, Jonas Toró e Bruno Lopes — autor do gol no empate contra o Botafogo-PB. A escalação, no entanto, só deve ser definida nos treinos de quinta e sexta-feira.
Com contrato até dezembro, Fernandes chega ao lado do auxiliar Marcelo Copertino. A Ponte, que vinha de três jogos sem vitória, caiu da segunda para a quarta colocação após perder para o Botafogo-PB. Faltando três rodadas para o fim da primeira fase, a equipe precisa de apenas uma vitória para garantir a vaga no quadrangular.
Com seis pontos de vantagem sobre o CSA, primeiro fora do G-8, a Macaca se classifica já neste sábado se vencer o Itabaiana, mesmo que o time alagoano derrote o Ituano. Neste cenário, o CSA só poderia igualar a pontuação, mas perderia no número de vitórias, o que garante a classificação da Ponte.











