A Ponte Preta iniciou a segunda fase da Série C de forma positiva, vencendo o principal rival Guarani por 1 a 0, com gol de Jonas Toró, no Brinco de Ouro. Além de encerrar um jejum de oito jogos sem triunfar na casa do adversário, a Macaca largou na frente em seu grupo, empatada em pontos com o Náutico, que também venceu o Brusque fora de casa. O resultado coloca a Ponte em vantagem em um duelo direto com o rival, que terá um reencontro decisivo no último jogo do quadrangular, desta vez com mando alvinegro.
O técnico Marcelo Fernandes celebrou o momento da Ponte Preta e a fase vitoriosa da equipe, ao mesmo tempo em que lamentou a violência nas arquibancadas durante o Dérbi. Em coletiva após o jogo, o treinador destacou a adaptação ao elenco, a importância de manter os pés no chão na segunda fase da Série C e comemorou a sua quarta vitória consecutiva no comando da equipe — a melhor sequência de início de um técnico da Macaca desde Sérgio Guedes, em 2008.
Em entrevista coletiva após o Dérbi, Marcelo Fernandes comentou, com respeito ao Guarani, sobre seu momento no clube e a sensação de dar continuidade à boa fase diante do maior rival da Ponte e seu ex-clube:
“O sentimento é o melhor possível, chegar num clube com jogadores que abraçaram a ideia, me deram um bom alicerce. Cheguei e logo me habituei. Quanto a sair de um clube para outro, faz parte, não vou entrar no mérito de nada. Eu só sei fazer meu trabalho. Sei da forma que cheguei no Guarani e sei que fiz um grande trabalho, que me credenciou hoje a estar em outro clube gigante como a Ponte Preta. Estou muito feliz aqui.”
A vitória veio em momento estratégico para a Ponte, que busca manter o foco na segunda fase da competição, mesmo com salários atrasados fora de campo. Para Fernandes, o triunfo serve de motivação para os jogadores, lembrando que a fase ainda reserva cinco partidas:
“A glória é para esses jogadores que estão lá dentro, que apesar de todos os problemas que a gente tem — e volto a ressaltar que a direção está tentando acertar isso — estão numa correria grande. Com certeza vai dar tudo certo, mas não ganhamos absolutamente nada. Estamos no começo de uma competição de seis jogos, foi uma vitória importantíssima fora dos domínios da Ponte. Agora é manter o pé no chão, trabalhar muito, descansar os jogadores, fazer uma boa semana e estudar o Brusque, que é a nossa próxima final”.
O treinador também lamentou as cenas de violência nas arquibancadas. Um torcedor caiu no fosso do Brinco de Ouro após ser confundido como pontepretano infiltrado, o que gerou confronto entre policiais e torcida e paralisou o jogo durante quase sete minutos, segundo a súmula oficial. Logo depois, Jonas Toró abriu o placar, aos 44 minutos, definindo a vitória por 1 a 0.
Sobre o episódio, Marcelo destacou que é o tipo de episódio que não pode acontecer no futebol brasileiro: “Vou ser sincero, eu sentei no banco e fiquei muito triste de ver aquilo, porque a gente sabe que tem crianças ali, senhores, casa cheia, estádio lotado. Não desejo isso a ninguém. Isso a gente tem que esquecer no futebol brasileiro. É uma coisa feia, queremos tanto resgatar o nosso futebol, e isso é uma das coisas que não podemos mais ver. Espero que o torcedor melhore. A gente não pode passar a mão na cabeça disso jamais.”

A mãe do torcedor de 29 anos confirmou nas redes sociais que ele era bugrino e havia ido ao dérbi a convite de amigos para apoiar o Guarani. O homem segue internado no Hospital Municipal Mário Gatti, em estado considerado estável. Outro torcedor — que teria agredido uma policial durante o confronto — também permanece internado, enquanto dois agentes, uma mulher e um homem, se feriram, mas já receberam alta.
Com três pontos já somados e na liderança do grupo, empatada com o Náutico, a Ponte volta a campo no próximo domingo (14), diante do Brusque, no Moisés Lucarelli, antes de enfrentar duas partidas decisivas contra o Timbu, principal concorrente na disputa pelo acesso até aqui.







