Trabalhadores da saúde mental de Campinas em greve organizam para esta quarta-feira (23), mais um protesto diante do impasse sobre a renovação do convênio entre a Prefeitura e o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira. A concentração está marcada para as 16h, na Praça Rui Barbosa, no Centro, com caminhada em direção ao Paço Municipal.
A mobilização ocorre dias após mais uma tentativa de mediação entre o município e o Cândido Ferreira, na última sexta-feira (18), conduzida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Sem acordo firmado, uma nova audiência foi marcada para 28 de julho.
O centro da discussão é o valor do repasse para manutenção dos serviços: o contrato vigente venceu em maio, e o Cândido pede reajuste de 23% — passando de R$ 6,06 milhões para R$ 7,41 milhões mensais. A Prefeitura, no entanto, sinalizou apenas 5% de aumento, elevando o repasse a R$ 6,5 milhões, o que foi considerado inviável pela instituição.
Durante a audiência, houve avanço para um possível valor intermediário, mas nenhuma proposta concreta foi formalizada. Também foi discutida a hipótese de o município assumir diretamente parte da rede de saúde mental, hoje quase totalmente gerida pelo Cândido, que administra 11 dos 14 Caps (Centros de Atenção Psicossocial) da cidade, além de mais 40 unidades, como centros de convivência e residências terapêuticas.
Sem um novo contrato definitivo, a 2ª Vara da Fazenda Pública determinou que o atendimento fosse mantido de forma provisória, com valores fixados por decisão judicial. Enquanto isso, parte dos trabalhadores permanece em greve por tempo indeterminado, pressionando por melhores condições de trabalho e financiamento adequado da rede.
O Cândido Ferreira afirma que não fará demissões, como chegou a ser cogitado em um plano anterior. A instituição, considerada referência nacional em saúde mental e reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou, no entanto, que, sem repasse suficiente, poderá ser forçada a reduzir oficinas de inclusão social e o número de vagas em residências terapêuticas, afetando diretamente a reabilitação psicossocial dos usuários.
O PROTESTO
A ‘Marcha em Defesa da Saúde Mental de Campinas’, marcada para esta quarta-feira, pretende denunciar o que classificam como “abandono institucional” da política de saúde mental na cidade. Os organizadores afirmam que a precarização dos serviços ameaça direitos conquistados com décadas de luta antimanicomial e da reforma psiquiátrica.
O ato busca pressionar a Prefeitura a garantir a continuidade da RAPS como política pública de base comunitária, gratuita e inclusiva.
Após a caminhada até a sede do Executivo, o grupo fará uma plenária no Salão Vermelho da Prefeitura, junto ao Conselho Municipal de Saúde.







