A maternidade tardia já é uma realidade consolidada no Brasil. Os dados mais recentes do IBGE sobre nascimentos por idade materna mostram que, ao longo dos últimos anos, houve aumento contínuo de partos entre mulheres de 35 anos ou mais, enquanto as faixas mais jovens registram queda. Esse movimento acompanha transformações sociais: maior escolarização, carreira mais estável, prioridades financeiras e pessoais redefinidas e, principalmente, autonomia para escolher quando a maternidade deve acontecer.
Mas essa decisão vem acompanhada de um novo desafio: a chegada aos 40. Para muitas mulheres, essa década representa uma fase de segurança emocional, estabilidade, autoconhecimento e a sensação de estar, finalmente, pronta para ser mãe.
Ao mesmo tempo, é também quando o corpo inicia a transição do climatério, que antecede a menopausa e traz mudanças hormonais progressivas, como explica Ana Carolina Massarotto, ginecologista e obstetra:
“Aos 40, muitas mulheres se sentem no auge da maturidade pessoal, mas começam a identificar mudanças no corpo que podem gerar dúvidas sobre fertilidade e saúde hormonal. É uma fase muito rica, mas que exige atenção e acolhimento.”
A menopausa costuma ocorrer por volta dos 50 anos, mas alterações hormonais podem surgir antes: ciclos irregulares, variações de humor, oscilações de energia e sono, mudanças na libido e sintomas vasomotores.

Esses sinais, embora naturais, coincidem justamente com o momento em que muitas mulheres se veem diante do desejo, ou da pressão interna, de engravidar. Para a ginecologista e obstetra Isabela Simionatto, essa coexistência de fatores cria um cenário emocional complexo.
“Existe um descompasso entre o tempo emocional e o tempo biológico. A mulher de 40 está mais segura, mais consciente, mais inteira. Mas o corpo passa a enviar sinais de que uma fase está mudando. Esse encontro pode gerar medo, culpa, urgência e tudo isso precisa ser discutido com clareza.”
O resultado é uma dicotomia que marca a vida da mulher contemporânea: sentir-se plena e preparada e, ao mesmo tempo, pressionada pelo relógio biológico; viver a maturidade emocional enquanto o corpo inicia um novo ciclo; desejar a maternidade, mas também desejar priorizar a própria saúde física e mental.
Essa é uma jornada que pede informação de qualidade, acompanhamento profissional e espaço para que cada mulher entenda seus limites, suas possibilidades e seus desejos individuais. “Informação e cuidado individualizado são fundamentais para que esse momento seja vivido com consciência e tranquilidade”, explica Ana Carolina Massarotto.
Para Isabela Simionatto, o climatério não deve ser visto como fim, mas como transição. “É possível atravessar essa fase com saúde, autonomia e, sobretudo, acolhimento”, pontua a médica.







