No trabalho, em casa, cuidando dos filhos, da família e ainda tentando encontrar tempo para si mesmas. A chamada “jornada múltipla” de muitas mulheres tem um custo emocional que, muitas vezes, passa despercebido até que o corpo comece a dar sinais de esgotamento. Ansiedade, estresse e até crises de pânico têm se tornado cada vez mais comuns nesse cenário.
Neste mês, onde é celebrado o Dia Internacional da Mulher, a situação chama atenção também para a importância do cuidado com a saúde mental feminina — especialmente diante da pressão cotidiana para dar conta de tudo ao mesmo tempo.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que as mulheres são mais afetadas por transtornos de ansiedade do que os homens, chegando a apresentar quase o dobro de risco de desenvolver o problema. A OMS também aponta que cerca de 301 milhões de pessoas no mundo vivem com transtornos de ansiedade, sendo a maioria mulheres.
No Brasil, levantamentos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também indicam níveis mais elevados de estresse e ansiedade no público feminino, cenário frequentemente associado à sobrecarga de responsabilidades no trabalho, na família e na vida pessoal.
Segundo a psicoterapeuta integrativa Lu Aires, muitas mulheres chegam ao consultório já no limite emocional. “O pânico não começa do nada. Ele costuma ser o resultado de um corpo e uma mente que ficaram tempo demais em estado de alerta”, explica. De acordo com a profissional, é comum que a ansiedade se acumule por meses ou até anos até se manifestar de forma mais intensa. Entre os sintomas estão falta de ar, coração acelerado, sensação de perda de controle e medo de que algo grave esteja acontecendo.
“Muitas mulheres carregam um nível muito alto de responsabilidade emocional. Cuidam de todos, resolvem tudo e acabam não se permitindo parar. O corpo, então, encontra uma forma de pedir socorro”, afirma a especialista. A psicoterapeuta explica que um dos primeiros passos para lidar com as crises é entender que o pânico não é sinal de fraqueza. “O corpo não está tentando destruir a pessoa. Ele está tentando proteger. Quando existe excesso de pressão interna e emocional, o organismo entra em modo de alerta constante.”
Entre as abordagens utilizadas para ajudar nesse processo está a hipnoterapia clínica, que pode auxiliar na regulação emocional e na redução da ansiedade. Segundo a especialista, a técnica ajuda o paciente a desacelerar os pensamentos e ressignificar padrões mentais que alimentam o estado permanente de tensão.
“A pessoa começa a entender que não precisa lutar contra o próprio corpo. Quando aprende a regular emoções e reorganizar pensamentos, o organismo também sai desse estado contínuo de alerta”, explica. Nos atendimentos realizados no Brasil e também no exterior, Lu Aires relata acompanhar histórias de transformação emocional de pessoas que conseguiram recuperar segurança interna e qualidade de vida após períodos de ansiedade intensa.
Para ela, o principal recado neste Mês da Mulher é que cuidar da mente deve ser uma prioridade, não um luxo. “Viver com medo constante não é normal. É um sinal de que o emocional precisa de cuidado e atenção. Ninguém precisa enfrentar isso sozinho”, conclui.











