Com o espírito natalino à tona e a chegada do ano novo, muitas pessoas sentem a necessidade de organização e de revisitar seus projetos pessoais. Mas também é uma época em que os sentimentos de fraternidade e sensibilidade à dor do próximo brotam. Portanto, a renovação de energia aliada ao desapego pode representar uma boa terapia. Na prática, a doação de roupas e itens sem uso dentro de casa para as famílias mais necessitadas é uma forma de resposta às questões interiores. Segundo os psicólogos, a ação auxilia na manutenção da saúde mental.
O coordenador do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, professor Thiago Reis Hoffmann, dá sugestões para a prática. Segundo ele, quem se dispor a fazer doações pode começar separando os itens em categorias. Nessa etapa, orienta Hoffmann, é importante fazer um autoquestionamento quanto à utilidade dos pertencentes.
“É preciso avaliar o que se sente em relação a renunciar a alguns itens. No caso de peças do armário, as reflexões devem ser objetivas: a roupa ainda é útil para você? Você compraria novamente? Você se esqueceu que possuía?”, pontua.
A orientação é de que as doações não precisam ser feitas todas de uma só vez. O psicólogo acredita que cada indivíduo tem seu tempo próprio para uma autoavaliação. “Quanto mais perguntas simples forem feitas, mais fácil será o desapego. O processo pode se tornar prazeroso e contribuir com a saúde mental”, afirma. “Não precisamos esperar itens estragarem para nos desfazermos deles. Podemos procurar instituições locais que fariam bom aproveitamento desses objetos”.
Transtorno
O docente explica que alguns sinais podem ajudar a identificar quando a dificuldade no desapego precisa ser encarada com mais atenção. Roupas guardadas há muitos anos, sem uso para eventos específicos, ou outros itens como roupas de cama (cobertores), brinquedos, livros e móveis empilhados ou sem utilidade aparente são exemplos. “Vale a pena destacar que quando a acumulação retira a funcionalidade do ambiente ou mesmo interfere nas relações sociais do sujeito ou do grupo familiar, deve-se buscar ajuda profissional”, afirma.
Em casos específicos e extremos, é possível verificar situações disfuncionais, como o Transtorno de Acumulação Compulsiva, também conhecida com disposofobia, caracterizado pela dificuldade persistente de descartar ou se desfazer de bens, independentemente do valor real deles.
“Com esse quadro, o simples ato de doar pode ser mais prejudicial do que se imagina. Pode gerar angústia, ansiedade e insegurança. Nunca obrigue ninguém a se desfazer de algo se o valor emocional depositado naquele objeto é importante para o sujeito. É preciso, nesse caso, do acompanhamento de especialistas e de ajuda psicoterápica profissional”, conclui.







