A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (8), a Operação Tramesa para desarticular uma associação criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas por meio de passageiros em linhas aéreas com destino ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.
A investigação começou a partir de abordagem de rotina, nos limites da cidade de Jaú (SP) realizada por policiais militares rodoviários, em um ônibus com saída de Campo Grande (MS), e destino ao Rio de Janeiro (RJ). Nesse ônibus foi identificada uma passageira, que afirmou ter como destino a cidade de Campinas, na posse de duas etiquetas de bagagem do voo Azul AD2491 (Corumbá-Viracopos). Questionada, a mulher informou que as etiquetas estavam relacionadas a duas malas que havia transportado de Corumbá (MS) para Viracopos, em 24 de março de 2024, mas que, por razões não esclarecidas na abordagem, as havia abandonado. Em inspeção, a Polícia Federal encontrou 26 kg de maconha e 2kg de cocaína nas referidas malas.
As diligências revelaram que o grupo criminoso por trás dessas malas se especializou na utilização de compartimentos ocultos em veículos e o uso de voos comerciais como meio de transporte de substâncias entorpecentes oriundas da Bolívia.
A partir desse fato e com os elementos de informação apresentados pela Polícia Federal, a Nona Vara Federal de Campinas, expediu quatro mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão, os quais estão sendo cumpridos no estado de Mato Grosso do Sul, nas cidades de Campo Grande e Corumbá.
Durante as investigações, constatou-se o emprego de estratégias tais como uso de contas bancárias, chaves PIX e cartões de crédito em nome de terceiros, além da tentativa de camuflar operações por meio de aplicativos e mensagens cifradas, para dificultar a atuação dos órgãos de repressão, bem como dissimular a presença de ramificações em diferentes localidades do território nacional.
Além das prisões, foi autorizado judicialmente o bloqueio de bens e a aplicação de medidas alternativas como o uso de tornozeleiras eletrônicas para os investigados que não tiveram suas prisões decretadas.
O material apreendido será encaminhado para a Delegacia de Polícia Federal em Campinas para ser periciado e analisado, com o objetivo de identificar outros eventuais envolvidos e relacionar outras provas.
Os investigados responderão pelos crimes de tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico de drogas, cujas penas máximas somadas podem passar de 35 anos de prisão.
A operação recebeu o nome de Tramesa, um neologismo criado pela junção da palavra “trames”, do latim, e “mesa”, evocando a trama logística por trás da rota que chega a Viracopos.







