O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, informou nesta terça-feira (30) que já foi instaurado inquérito policial para investigar as circunstâncias envolvendo os casos de intoxicação por metanol identificados no estado de São Paulo. Segundo ele, a corporação investiga, inclusive, a ligação da adulteração de bebidas alcoólicas com o crime organizado.
“Dentre as razões, está a questão da interestadualidade, pois há indícios de distribuição fora do estado de São Paulo”, afirma Rodrigues. “Também apuramos a possível conexão com investigações recentes que fizemos, especialmente no estado do Paraná, com outras duas de São Paulo, em razão de toda a cadeia de combustível, onde parte disso passa pela importação de metanol pelo Porto de Paranaguá”, explicou.
O diretor da PF disse que a investigação, baseada em operações anteriores, apontará se existe conexão dos casos de intoxicação com o crime organizado. O trabalho será integrado com a Polícia Civil de São Paulo, anunciou.
“A gente vai buscar trabalhar de maneira integrada. São investigações que se complementam”, disse.
Ministério da Saúde
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse nesta terça-feira ter determinado a notificação imediata de novos casos de intoxicação por metanol.
A Prefeitura de São Bernardo do Campo confirmou, nesta segunda-feira (29), a terceira morte suspeita na Região Metropolitana de São Paulo — duas na cidade e uma na capital. Outros seis casos foram confirmados e há ainda mais dez em investigação, de acordo com o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do Estado de São Paulo. As intoxicações foram reportadas após o consumo de bebidas contaminadas pelo produto, que é altamente tóxico para o ser humano.
“Essa notificação imediata é um canal direto com o que nós chamamos de Cievs (Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde) em cada um dos estados. O ministério acompanha esse trabalho diariamente para que possamos identificar mais rapidamente se existe uma situação anormal.”
Em entrevista ao lado do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, Padilha destacou que a notificação deve ser feita em qualquer caso de suspeita. “Não precisa aguardar o fechamento do diagnóstico para fazer a notificação.”
Números
De acordo com o ministro, em apenas um mês foi registrada praticamente a metade dos casos de intoxicação por metanol contabilizados anualmente. A série histórica da pasta indica cerca de 20 casos por ano notificados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). (Agência Brasil)







