O projeto de construção de uma rua na área central de Vinhedo está gerando polêmica. Segundo integrantes da Escola Municipal Integração, a obra vai afetar o espaço físico e a segurança dos alunos da instituição de ensino. Pode causar, ainda, impacto no meio ambiente e no patrimônio histórico e cultural da cidade, de acordo com denúncia. A Prefeitura, por sua vez, alega que a obra está em fase de estudo, embora já tenha sinalizado, na prática, que a intervenção poderia começar nos próximos dias.
A polêmica via seria uma extensão da Rua João Corazzari até a Rua João Ortiz de Camargo. A obra passaria por dentro das dependências da Escola Integração, cujo estacionamento seria extinto. Na última semana, a Prefeitura improvisou uma área para os funcionários da unidade estacionarem os carros, apontando que as operações poderiam ter início a qualquer momento. A improvisação, aliás, teria sido feita em setor tombado pelo Condephaat, o que é proibido. A mãe de um aluno, que também é ex-estudante da escola, está organizando um abaixo-assinado para barrar a obra.
“Estão tentando tirar uma parte da escola e prejudicar a segurança dos alunos”, alega a professora Sandra Rio, em vídeo divulgado nas redes sociais.
A maior preocupação é com o aumento do fluxo de trânsito ao redor da unidade. Ela lembra que uma aluna já morreu atropelada durante o horário de saída e que o risco de acidentes pode aumentar, já que a movimentação junto ao portão de entrada seria ampliada.
“O local ficaria ainda mais confinado por ruas”, observa o vereador Luiz Vieira (PDT), que também contesta a ação da Prefeitura. “Com o barulho e o fluxo de veículos, salas de aula seriam perdidas”, completa, enfatizando que a Escola Integração é uma das mais antigas e tradicionais da cidade.
Outro impacto da obra seria no meio ambiente, já que árvores precisariam ser suprimidas de dentro da escola para possibilitar a construção. “Aparentemente, são jacarandás”, aponta o vereador.
Uma denúncia foi encaminhada pelo parlamentar ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) do Estado de São Paulo com a alegação de que uma área tombada pelo órgão também será afetada. A nova rua modificaria a paisagem do Conjunto da Estação Ferroviária, que inclui uma Vila habitada e uma antiga estação de trem, ainda ponto de atividades turísticas. O conjunto fica nas proximidades da Escola Municipal Integração.
“Qualquer tipo de intervenção, como demolições, mutilações, destruições e alterações em bens tombados é considerado irregular”, afirma Vieira. Na denúncia, o vereador alega ainda que a Prefeitura não chegou a consultar a comunidade local para um debate acerca da ação. “É uma obra que não encontra razão evidente ou necessidade em termos viários e de escoamento de tráfego na região”, considera o parlamentar.

A posição da Prefeitura
A Prefeitura afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que a rua é uma antiga solicitação de comerciantes do local. De 2011 até a semana passada, 12 indicações e moções de apelo foram protocoladas na Câmara a favor da obra.
“É para melhorar a mobilidade no Centro de Vinhedo”, justifica a Administração.
Por outro lado, diante da resistência de parte da comunidade da cidade, a Secretaria de Planejamento Urbano alega que “o processo está em estudo e o caso passa por avaliação na Secretaria de Justiça”.







