A história urbana e cultural de Campinas guarda a assinatura de um dos nomes mais relevantes da arquitetura moderna brasileira: Fábio Penteado. Ao longo de quase cinco décadas, o arquiteto desenvolveu na cidade projetos que ajudaram a moldar a paisagem urbana, dialogando com o espaço público, a cultura e a vida cotidiana dos campineiros.
Entre as obras construídas, destaca-se o Centro de Convivência Cultural de Campinas, projetado em 1967. O equipamento se tornou um dos principais símbolos da vida cultural da cidade, reunindo teatro, música e manifestações artísticas em um espaço pensado para a convivência e o encontro.
Ainda na década de 1960, Fábio Penteado participou de projetos ligados à educação e à infraestrutura urbana, como o Grupo Escolar Vila Stanislau, atual Escola Estadual Monsenhor Luis Gonzaga de Moura, e a Escola Técnica de Química Conselheiro Antônio Prado (ETECAP), ambas concluídas em 1960. Já nos anos 1950, colaborou na concepção das Estações de Tratamento de Água I e II, reforçando a importância de sua atuação também em obras estruturantes para a cidade.
Nos anos seguintes, sua produção se diversificou. Em 1971, participou da reforma do Tênis Clube de Campinas, e na década de 1970 assinou projetos residenciais e edifícios verticais, como os edifícios Michelangelo e Leonardo da Vinci, que contribuíram para o crescimento urbano e a verticalização da cidade. Já nos anos 1980, atuou na área de urbanismo, com destaque para o projeto de urbanização do Parque Prado, realizado em 1986.
A presença de Fábio Penteado em Campinas também se manifesta por meio da arte pública. Em 1993, ele assinou, ao lado de César Sampedro, a Escultura Ulysses Guimarães, instalada no Parque Pedreira do Chapadão, integrando arquitetura, memória política e espaço urbano.
Exposição
A partir desta quarta-feira (7), a exposição “Fábio Penteado: Pétalas e Estrelas” passa a receber o público de quarta a sexta-feira, das 14h às 18h, e aos sábados, das 11h às 17h, nas galerias do Centro de Convivência Cultural de Campinas. A mostra fica disponível ao público até 21 de março.
A mostra propõe uma imersão na obra e no pensamento do arquiteto campineiro, reconhecido por romper com a ortogonalidade e desenvolver projetos inspirados em formas da natureza.
A exposição reúne sete projetos icônicos da trajetória de Fábio Penteado, entre eles o Teatro Municipal de Piracicaba, o Monumento de Playa Girón, em Cuba, o Teatro de Ópera de Campinas e o Centro de Convivência Cultural, além de obras realizadas no Brasil e no exterior. Ao todo, mais de 220 itens integram a mostra, incluindo plantas, maquetes, obras originais, objetos pessoais e documentos restaurados.
Segundo Adriana Penteado, filha do arquiteto e coordenadora da exposição, a iniciativa é resultado de uma parceria internacional entre o Arquivo Fábio Penteado e a Casa da Arquitectura, em Portugal, que permitiu a restauração e catalogação de mais de 10 mil documentos do acervo do arquiteto e contribuiu para o projeto de reforma do Centro de Convivência Cultural, entregue ao público em julho de 2025.
Distribuída em duas salas do CCC, a mostra inclui ainda dois documentários sobre a vida e a obra de Fábio Penteado, um deles dirigido por Guilherme Wisnik e outro, inédito, por Paulo Markun, que também lança o livro “Fábio Penteado na Escala da Multidão: Histórias de Arquitetura”. A experiência é ampliada com o uso de tecnologia interativa, por meio do chatbot “Fábio IA”, além de um catálogo bilíngue com textos de especialistas brasileiros e internacionais.






