A Polícia Civil divulgou nesta quarta-feira (12) que a quadrilha investigada na Operação Garimpeiros, que prendeu 23 pessoas em Campinas e cidades da região, é especializada no tráfico de uma variedade “gourmet” de maconha, importada de países vizinhos. O valor do quilo desse tipo de droga pode chegar a R$ 30 mil.
De acordo com o delegado Fernando Sanches, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), as investigações sobre o grupo começaram em meados de 2024, quando foram presos dois homens com seis quilos de Dry (maconha com alto teor de tetrahidrocanabinol -THC).
A partir da análise dos celulares apreendidos e da movimentação bancária da dupla, a polícia identificou um grupo que atuava na região com a compra e venda das drogas.
Ao todo, foram expedidos 35 mandados de prisão nas cidades de Artur Nogueira, Hortolândia, Sumaré e Itapira, além da Campinas. Cerca de 230 policiais civis e guardas municipais dos respectivos municípios participaram da ação.
Foram apreendidos celulares, drogas, como pés de maconha, ecstasy e cocaína, armas, veículos, entre motos e carros.
Durante coletiva de imprensa, o delegado Fernando Sanches explicou que a quadrilha funcionava como um “consórcio”, e parte do grupo negociava a importação do entorpecente para posterior distribuição entre si.
“Eles se autodenominam garimpeiros. Eles formavam grupos e, de forma consorciada, eles adquiriam esses entorpecentes. Eles diziam que estariam garimpando oportunidades de compra e venda desse tipo de entorpecente. É uma alusão também ao valor do entorpecente, que é bastante elevado”.
MACONHA GOURMETIZADA
A investigação revelou que o grupo adotava uma estratégia de venda diferenciada, operando por meio de entregas com motoboys previamente agendadas, evitando o modelo tradicional de “biqueiras”.
“Essa venda é por meio de entregas, de motoboy ou feito com conhecimento prévio, entrega pessoal. É diferente da característica de biqueira, craque, esse tipo de coisa. Um pino de cocaína se vende por R$ 10. Um grama desse tipo de entorpecente é R$ 150, R$ 200”, detalhou Sanches.
A maconha ‘gourmetizada’ tem aspecto diferente da tradicional droga prensada. Segundo o policial, a Dry é como uma massa marrom escura, vendida em involucro plástico, com seda e até nicotina misturada.
“Como ela é uma massa, os usuários tendem a enrolá-la, como se fosse um fio, e colocá-la dentro de um cigarro com nicotina. O cheiro dela não é tão relevante como da maconha prensada. Passaria despercebida até em eventos sociais”.
O próximo passo da investigação é a análise dos aparelhos apreendidos para mapear a hierarquia do grupo e identificar outros integrantes. Além disso, serão adotadas medidas para bloquear contas bancárias e aprofundar as apurações sobre a lavagem de dinheiro.







