Um levantamento da Secretaria de Educação de Campinas mostra que quase metade das escolas municipais têm hortas pedagógicas. São cultivos que contribuem na educação básica para abordagens de temas como natureza e vida saudável. Além disso, praticamente uma em cada quatro unidades conta com jardim sensorial para promover o desenvolvimento dos alunos durante atividades que também aguçam os sentidos.
Neste momento, há 121 hortas pedagógicas e 62 jardins sensoriais em escolas. A rede municipal é formada por 266 unidades que atendem quase 60 mil estudantes matriculados em turmas da educação infantil, ensino fundamental e educação de jovens e adultos (EJA).
O plano pedagógico deste ano trabalha a equidade como eixo de forma inédita. Um dos assuntos em destaque no projeto é o meio ambiente/emergências climáticas.
“É um resultado importante que mostra a preocupação dos profissionais de ensino em estabelecer conexões entre os alunos e a natureza ao abordar diferentes sons, texturas, sabores, aromas e cores. São iniciativas que merecem ganhar cada vez mais espaço e serem reconhecidas”, explicou a secretária de Educação de Campinas, Patrícia Adolf Lutz.
No Centro de Educação Infantil (CEI) Maria Antonina Mendonça de Barros, no Jardim Santa Eudóxia, a horta pedagógica está integrada ao jardim sensorial. Quem passa pelo local encontra árvores frutíferas (acerola, pitanga, amora e limão) e sente uma série de aromas provenientes de flores diversas, além de erva-cidreira, cebolinha, salsinha, boldo, citronela, hortelã, lavanda, alecrim, manjericão, melissa, açafrão, coentro e gengibre.
Já os materiais utilizados para proporcionar sensações e percepções têm diferentes texturas: pedras, bambu, tampas de garrafas PET, areia grossa, terra, madeira, grama, placa de borracha, revestimento em cimento queimado e telha.
“As crianças, ao interagirem nos espaços, ampliam os conhecimentos de forma lúdica, natural e espontânea, o que favorece experiências e descobertas, aguçando a curiosidade e possibilitando aprendizagens”, ressaltou a diretora do CEI, Tânia Regina Pascutti Zacarias.

Segundo ela, as iniciativas nas escolas também estão em sintonia com as leis que tratam da obrigatoriedade do ensino da história e culturas africana/afro-brasileira e indígena nos currículos escolares.
“É uma ferramenta multidisciplinar relevante para a construção do conhecimento, pois é um espaço atrativo, de convivência e permite aprender brincando”.
‘Brincar é coisa séria’
A horta pedagógica do CEI José Villagelin Neto, no bairro Nova Campinas, faz parte de um complexo de espaços educativos que são usados pelos professores para trabalhar estímulos sensoriais com as crianças. Nela, os estudantes se deparam com árvores frutíferas (limão, mamão e carambola), além de itens como couve e manjericão roxo. Neste ano, a equipe planeja realizar plantios diversos como alface, tomate e beterraba.
“Na educação infantil, brincar é coisa séria, todas as atividades, individuais ou em grupo, proporcionam diversas aprendizagens”, ressaltou a orientadora pedagógica Lorena Valsani.
A escola tem ainda plantas ornamentais e a iniciativa mais recente foi a criação de um “espaço zen” em 2025. Ele reúne caminho sensorial, redário, slackline, som instalado e aspersores de água. “Ele nasceu da ideia das professoras que vislumbravam um local acolhedor e rico em explorações e sensações para as crianças”, contou Lorena.
Já no CEI Bety Pierro, na Chácara do Vovô, o jardim sensorial foi criado para servir como um espaço de experiências para as crianças na área externa ao prédio da escola. No local há, por exemplo, ervas aromáticas e plantas ornamentais.
“Proporciona um espaço vivo, cheio de significados. A criança é incentivada a desenvolver a coordenação motora, equilíbrio e consciência corporal. Além disso, é um momento em que podemos instigar a curiosidade dela em procurar, sentir novas texturas, cheiros e estímulos visuais”, ressaltou a diretora da unidade, Laís Martins Angelo. A escola também trabalha, neste momento, no planejamento para implantar hortas com vasos suspensos.
Projeto inédito
A Secretaria de Educação de Campinas terá uma escola com espaço inédito para educação ambiental e climática no distrito de Joaquim Egídio. O objetivo é iniciar a construção de uma estrutura em terreno próprio da Prefeitura até dezembro para um projeto-piloto direcionado também para a visitação dos estudantes matriculados no ensino fundamental.











