Estava aqui elaborando a aula que irei dar nos próximos dias a respeito da predominância que há em nós humanos acerca ou da razão ou da emoção e achei pertinente partilhar as reflexões com você leitor, com você leitora que me acompanha através desde meio de comunicação. De antemão lhe pergunto: o que impera em nós humanos: razão ou emoção? Não me abandone nessa reflexão.
Esse tema é discutido desde que eu me entendo por gente, é tema de reflexão desde antes de Cristo quando Platão, na voz de Sócrates, narra que somos seres dualistas e que para alcançarmos a verdade era preciso abandonar os desejos, o famoso Eros advindo do mundo físico e dos sentidos.
Para não nos perdermos nessa reflexão, prefiro dar ênfase aos dois lados da moeda: razão x emoção.
Do lado da razão temos Platão que denominava as emoções como sendo desejos, mas seu racionalismo não foi tão evidente quanto fora o de René Descartes, considerado o pai do racionalismo, principalmente pela mudança da idade média teocêntrica para a moderna como sendo antropocêntrica.
A principal frase do racionalismo e de Descartes é: “Penso, logo existo” (Cogito, ergo sun – em latim), ou seja; para existir primeiro preciso usar de minha faculdade intelectiva. Defendiam que se fossemos governados pelas emoções tudo estaria perdido, não haveria convívio muito menos civilização.
Depois de Descartes vieram muitos outros filósofos racionalistas como Leibniz, Spinoza… Mas o outro lado da moeda diz que muito pelo contrário, somos seres dominados pelas emoções e pode você concordar ou não, esperneie o quanto quiser…
Esse é o típico posicionamento de Freud, por exemplo, famoso neurologista criador da psicanálise, segundo ele: “Não somos senhores em nossa própria casa”, fazendo referência à impotência do EU em relação às pulsões.
Emoção é um termo recente, ao longo da história Platão se referia a ela como sendo desejos, Descartes como sendo paixões, Freud como sendo pulsões. Ainda sobre Freud, ele tem em sua teoria a ideia de que o consciente é quase que insignificante em meio ao inconsciente, o consciente é racional, moral, mas o inconsciente é pulsional, cheio de apetites instintivos o que tornaria ainda mais difícil engolir a ideia de que somos seres racionais e que ela predomina sobre as emoções como queria Descartes.
Após apresentar os dois lados da moeda à você querido leitor, querida leitora, qual a sua conclusão?
Você se considera uma pessoal racional, lógica, fria e calculista ou é uma pessoa regida pelas emoções, sejam elas empáticas ou maléficas? Quem estaria certo: Descartes com seu racionalismo ou Freud com suas pulsões?
Haveria um meio termo para conseguirmos viver bem sem prejudicar o convívio social? Foi possível extrair algo prático dessas teorias subjetivas nesse período de quarentena, onde muitos eram comedidos usando máscaras e ditando regras enquanto outros compravam tudo no supermercado egoisticamente como se não houve amanhã?
O mais gostoso da filosofia é isso: é saber que ela não é inútil como quase sempre é intitulada, ela está sempre viva. Sugiro sempre a virtude da suspeita, do olhar clínico antes de sair falando opiniões vazias, sugiro estudo para enriquecer a argumentação.
Thiago Pontes é filósofo e neurolinguista (PNL)











