O número de brasileiros inadimplentes atingiu o maior patamar da série recente: 81,2 milhões de pessoas estavam com o nome negativado em janeiro de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian. O indicador já vinha em trajetória de alta. Ao final de 2025, o país registrava cerca de 80,6 milhões de consumidores inadimplentes, evidenciando a dificuldade de muitas famílias para equilibrar renda, crédito e despesas.
Segundo a advogada Leila Alvarenga, especialista em contencioso cível estratégico do Granito Boneli Advogados, o recorde de inadimplência reflete um cenário em que o acesso ao crédito, combinado a juros elevados, tem pressionado o orçamento dos consumidores. “Grande parte das dívidas está ligada a cartão de crédito, empréstimos pessoais e financiamentos, modalidades que costumam ter taxas mais altas e podem comprometer rapidamente a renda mensal”, explica.
Com o avanço do endividamento, também crescem os conflitos envolvendo contratos bancários, cobranças indevidas e renegociações de dívidas. “Em muitos casos, o consumidor só percebe a dimensão do problema quando já está negativado ou diante de cobranças mais intensas. Há situações em que os contratos apresentam encargos elevados ou pouca transparência nas condições de crédito”, afirma Leila.
Entre as demandas mais recorrentes observadas no Judiciário estão juros considerados abusivos em contratos de crédito, renegociações pouco claras, negativação indevida do nome do consumidor e disputas relacionadas a cobranças bancárias.
Para a especialista, o Direito do Consumidor tem papel importante para equilibrar a relação entre instituições financeiras e clientes, inclusive permitindo a revisão de contratos quando há indícios de irregularidades. Ainda assim, a prevenção continua sendo o melhor caminho. “Avaliar com atenção as condições do crédito antes de contratar e buscar orientação em caso de dúvida são medidas que ajudam a evitar que uma dívida se transforme em um problema maior”, conclui.
O que fazer
A especialista do Granito Boneli Advogados traz algumas medidas podem ajudar o consumidor a evitar que uma dívida se transforme em um problema maior:
• Analise as condições do crédito
Antes de contratar empréstimos, financiamentos ou parcelamentos, é fundamental verificar taxas de juros, encargos, prazos e o valor total da dívida ao final do contrato contando sempre com o auxílio de um especialista;
• Confira cobranças e contratos
É importante revisar faturas e contratos para identificar possíveis encargos indevidos, tarifas não informadas ou condições diferentes das originalmente apresentadas;
• Verificar a negativação do nome
Caso o consumidor seja incluído em cadastros de inadimplentes, é recomendável confirmar se a cobrança é legítima e se todos os requisitos legais foram cumpridos;
• Busque orientação especializada quando necessário
Em situações que envolvam cobranças abusivas, juros considerados excessivos ou negativação indevida, a orientação jurídica pode auxiliar na análise do contrato e na adoção das medidas cabíveis.











