O reitor da Unicamp Paulo Cesar Montagner garantiu que o projeto de autarquização da área da universidade e o programa de expansão acadêmica irão continuar. Dois episódios de invasão de duas sessões consecutivas do Conselho Universitário (Consu), na última terça-feira (16), suspenderam a votação da proposta.
“Nós temos a clareza da importância da proposta e vamos estudar a melhor forma de encaminhar o processo. Ele não termina aqui”, garantiu o reitor.
O projeto propõe a transformação da área da Saúde, que hoje integra a estrutura administrativa e orçamentária da Unicamp, em uma nova autarquia – que seria chamada de Complexo de Saúde da Unicamp.
Pela proposta, a autarquia passaria a ser vinculada à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo para fins administrativos e orçamentários, semelhante aos modelos já consolidados nas Faculdades de Medicina da USP e da Unesp (Botucatu).
A primeira interrupção da reunião do Consu aconteceu pela manhã, quando representantes de movimentos estudantis, do Sindicato dos Servidores da Unicamp (STU) e entidades sociais invadiram a sala do Conselho, que fica ao lado do prédio da Reitoria, impedindo a continuação da sessão.
A reitoria decidiu promover uma reunião on-line, no período da tarde, desta vez numa sala da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp). Só que o prédio foi novamente tomado por manifestantes e a reunião teve, outra vez, de ser suspensa.
Durante o ato, manifestantes afirmaram que o acesso à sessão estaria restrito e protestaram contra o que classificam como falta de diálogo sobre o futuro do complexo de saúde da Unicamp. Gritos de ordem contrários à autarquização marcaram o momento da interrupção dos trabalhos. A mobilização ocorreu em meio a uma paralisação de 48 horas iniciada na segunda-feira (15) por servidores da área da saúde da universidade.
A proposta de autarquização da área da saúde já havia gerado intensos debates no Consu no início do mês.
Em uma sessão extraordinária que durou mais de quatro horas, o Conselho decidiu retirar o tema da pauta, entendendo que o projeto envolve mudanças estruturais profundas e exige mais discussão com a comunidade acadêmica. A matéria foi, então, remarcada para a reunião desta terça-feira.
A proposta
Pelo projeto, a gestão administrativa e orçamentária do complexo de saúde da Unicamp passaria a ser vinculada à Secretaria Estadual de Saúde, enquanto a universidade manteria a responsabilidade pelas atividades de ensino, formação de estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisa e aperfeiçoamento profissional. O atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) continuaria integral







