A Ponte Preta caminha para o segundo rebaixamento no Campeonato Paulista em apenas quatro anos. Após cair em 2022, a Macaca encerrou uma sequência de 23 temporadas consecutivas na elite, período que incluiu os vice-campeonatos de 2008 e 2017 e consolidou o clube como uma das forças do estado. Desde então, o clube vive um declínio, que também conta com a ausência na Série A do Brasileiro desde 2017.
Para evitar nova queda, a Ponte precisa vencer seus dois compromissos finais, contra a Portuguesa, fora de casa, e diante do São Paulo, no Moisés Lucarelli. Além disso, depende de uma combinação de resultados, como derrotas do Noroeste e tropeços do Velo Clube. O cenário, que já seria naturalmente difícil, torna-se ainda mais duro porque os dois adversários chegam motivados por objetivos próprios na competição.
A Portuguesa, rival da próxima rodada, já assegurou a permanência na elite, mas segue firme na disputa por uma vaga no mata-mata.
Com nove pontos e ocupando a quinta colocação, chega embalada pela vitória de virada sobre o Primavera. Em coletiva, o técnico Fábio Matias classificou o duelo com a Ponte como decisivo: “O jogo contra a Ponte Preta é um divisor de águas entre classificação ou assistir, daqui a pouco, os outros adversários jogando uma fase de mata-mata. É um jogo-chave para nós, que representa a retomada dos pontos perdidos em casa contra o Guarani”.
O retrospecto da Lusa também reforça a necessidade de reação. A equipe soma duas vitórias como visitante, mas venceu apenas uma vez no Canindé – palco da próxima partida –, onde sofreu duas derrotas. A referência de Matias à “recuperação de pontos” remete justamente ao revés para o Guarani na quinta rodada.
O São Paulo, por sua vez, iniciou o campeonato pressionado por crises internas e um início irregular, mas reencontrou fôlego ao vencer o Santos por 2 a 0, saltando da 14ª para a 11ª posição. A um ponto da zona de classificação, o Tricolor encara o Primavera na sétima rodada e deve chegar ao confronto com a Ponte, na última rodada, ainda vivo na disputa por vaga.
E como chega a Ponte para as decisões?
Enquanto os rivais crescem, a Ponte amarga a pior campanha do torneio: apenas um ponto em 18 possíveis, dez gols sofridos e dois marcados.
Para o próximo jogo, o técnico Marcelo Fernandes não contará com o lateral Pacheco, suspenso, e ainda depende da recuperação de reforços como Jonathan Cafu e dos zagueiros Saimon e Diego Leão.
A esperança recai sobre a qualidade individual dos recém-chegados, como o atacante Luis Phelipe, os laterais Kevyson e Bryan Borges e o meia Cristiano. A liderança técnica de Elvis, um dos poucos remanescentes da campanha do título da Série C, também é uma das armas pontepretanas.
Todos estiveram em campo no Dérbi 213 e receberam elogios do treinador, embora a falta de entrosamento e de ritmo tenha pesado. Segundo Marcelo, a equipe “ficou sem perna” na etapa final, o que abriu espaço para o gol de Hebert nos acréscimos, definindo o clássico.
A preparação da Macaca também foi prejudicada pela greve dos jogadores na pré-temporada, motivada pelos salários atrasados e quebra de promessas da diretoria, o que atrasou treinamentos e condicionamento. O transfer ban, que impedia o registro das novas contratações, só foi derrubado há poucas rodadas, deixando os reforços ainda em fase de adaptação.
Se empatar ou perder para a Portuguesa, a Ponte Preta estará matematicamente rebaixada para a Série A2 do Campeonato Paulista.











