A Secretaria de Saúde de Campinas lançou na tarde desta quarta-feira (19) a “Linha de Cuidado em Acidente Vascular Cerebral (AVC)”. O documento foi elaborado em parceria com a Rede Mário Gatti, Unicamp e PUC-Campinas. Houve ainda apoio do vereador Major Jaime. No ano passado, Campinas registrou 548 mortes por AVC, o equivalente a 6,3% do total de óbitos.
No Brasil, o AVC é a principal causa de morte não infecciosa, com cerca de 100 mil óbitos/ano, e também a principal causa de incapacidade de adultos. O número de pessoas que sofrem um AVC em todo o mundo quase duplicou nos últimos 30 anos.
O objetivo do programa lançado por Campinas é otimizar a assistência aos pacientes por meio de maior integração entre os serviços do SUS Municipal que visam prevenção, tratamento e reabilitação.
“Não tenho dúvidas que a prevenção é a melhor arma da medicina. O objetivo é sempre diminuir a mortalidade”, falou o presidente da Rede Mário Gatti, Sérgio Bisogni, ao valorizar a iniciativa que pode contribuir para redução dos percentuais nos próximos anos.
A medida valoriza o conceito de longitudinalidade do cuidado, ou seja, garantir um acompanhamento do usuário por mais tempo e fortalecer a Rede de Atenção em Saúde para atender em tempo oportuno, e ainda reduzir hospitalização, incapacitação e mortalidade.
“É muito importante esta Linha de Cuidado e, ao mesmo tempo, continuar alertando e informando a população sobre os fatores e doenças que podem levar uma pessoa a ter o AVC”, ressaltou o prefeito, Dário Saadi.
Tipos
O AVC pode ser hemorrágico ou isquêmico, sendo que o primeiro ocorre quando os vasos que levam o sangue ao cérebro se rompem e causam hemorragia. O segundo, responsável por 85% dos casos, interrompe, parcial ou totalmente, o fluxo de sangue no cérebro.
A possibilidade de recuperação completa depende da agilidade no diagnóstico e tratamento: o paciente que tem o AVC mais comum e recebe tratamento em até 4h30 após os sintomas têm 30% mais chances de alcançar bons resultados para a recuperação.
“É uma patologia extremamente ingrata do ponto de vista de sequelas para os pacientes. Nossa obrigação é criar uma linha de cuidados que abrevia o tempo entre essas pessoas terem sintomas e chegarem a ter assistência médica, muitas vezes, dentro do ambiente hospitalar”, destacou o secretário de Saúde, Lair Zambon.
Mortes e internações por AVC em Campinas
Na última década houve estabilidade na quantidade de óbitos pela doença, com exceção de 2022. Por outro lado, com o aumento da expectativa de vida da população nas próximas décadas, e maior incidência da doença em adultos de meia idade e idosos, o panorama epidemiológico se torna mais desafiador.
Campinas tem 209,3 mil residentes com idade igual ou superior a 60 anos, o equivalente a 18,4% da população. Segundo a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, um em cada quatro brasileiros enfrentará um AVC em algum momento da vida.
Série histórica de mortes por AVC em Campinas
2014 – 548
2015 – 567
2016 – 536
2017 – 605
2018 – 560
2019 – 548
2020 – 574
2021 – 538
2022 – 668
2023 – 548 (6,3% do total de óbitos no ano)
Internações
Durante 2023, a Saúde registrou 1.150 autorizações de internação hospitalar. Deste total, 70% foram para pacientes com mais de 60 anos. Neste grupo de hospitalizações foram 136 óbitos, o que representou taxa de letalidade de 11,83%. Ela é igual à nacional.
O Hospital Ouro Verde, referência municipal para AVC, realizou 534 internações, o equivalente a 46,4% do total. Foram 48 óbitos, portanto, taxa de letalidade de 9%. O percentual é menor que o geral do Município e em todo País.
Prevenção
A Secretaria de Saúde tem promovido uma série de ações intersetoriais com objetivo de garantir prevenção à doença, uma vez que 90% dos fatores de risco podem ser evitáveis: hipertensão arterial, diabetes mellitus, doenças cardíacas, colesterol elevado, ingestão de bebidas alcoólicas, tabagismo, sedentarismo e obesidade.
Na lista de iniciativas estão capacitações de equipes sobre envelhecimento da população, fortalecimento dos grupos antitabagismo que atuam no SUS Municipal, expansão do projeto de Farmácias Vivas, criação do projeto Samuzinho, webinários, além de atividades especiais como a realizada na Lagoa do Taquaral, em 8 de junho, por meio de parceria da Pasta com a Sociedade de Medicina e Cirurgia em Campinas e as ligas de Cardiologia do Município.
O que diz a Linha de Cuidado?
– A Linha de Cuidado reúne: unidades de atenção primária; componente móvel de urgência (Samu/ pré-hospitalar); unidades de pronto atendimento (Upas) e prontos-socorros de hospitais gerais; hospitais com habilitação em centro de atendimento de urgência aos pacientes com AVC; unidades de atenção especializada; atenção domiciliar; serviços de reabilitação/centrais de regulação.
– O atendimento aos usuários em situações agudas deve ser feito por todas as portas de entrada do SUS, com resolução completa ou encaminhamento para serviço de maior complexidade – sistema hierarquizado e regulado.







