“Reconstrução”. Essa é a palavra de ordem no Brinco de Ouro e Moisés Lucarelli após o desastre que atingiu o futebol campineiro em 2024. No entanto, para que esse termo tenha efeito prático, uma série de preceitos terão de ser obedecidos e todos associados a uma mudança de mentalidade por parte dos mandatários. Uma sequência de fatores determinou a queda de Guarani e Ponte Preta à Série C e nenhum deles escapa da ausência de uma postura séria e responsável dos que têm o poder de decisão. Peso de camisa e palavras mágicas não têm mais espaço em um futebol no qual o profissionalismo atingiu nível de extremo rigor.
No Guarani, a palavra mágica que abriu a temporada partiu do então CEO Ricardo Moisés, logo após o encerramento da Série B de 2023.
“Aqui não se fala mais em descenso”, afirmou Moisés na ocasião, antes do início da montagem de um elenco inconsistente, carente de planejamento e que logo se mostrou incapaz de cumprir a promessa de Moisés já no Campeonato Paulista.
A falta de resultados ampliou a pressão dentro do clube para o afastamento do CEO, cabeça de um conselho de administração que se evidenciou perdido diante do contexto adverso. As demissões na comissão técnica e departamento de futebol jogavam por terra o plano de manutenção de uma sequência de trabalho traçado antes da temporada e expunha uma diretoria sem convicção em suas metas. No Paulista, o time escapou do rebaixamento na última rodada. Na Série B, o pior aconteceu.

Dentro do Brasileiro, a tentativa de fechar a ferida aberta no início do ano provocou um efeito inverso, menos pelas contratações feitas e mais por ações de desespero de um grupo de mandatários cada vez mais sem rumo. Só no primeiro turno foram três técnicos contratados e demitidos e uma campanha que já indicava o seu desfecho, com apenas 11 pontos somados e a inevitável lanterna.
“Chegamos aqui com o desafio de tirar o time da Série C, onde ele já estava desde as primeiras rodadas”, afirmou o técnico Allan Aal após o rebaixamento consumado. O quinto e último treinador de 2024 chegou ao clube às vésperas do segundo turno.
“Sabíamos que o desafio seria muito grande, mas confiávamos demais naquilo que poderíamos fazer. Tentamos de tudo dentro das nossas possibilidades”, disse Aal Na Série B, o Guarani passou todo o campeonato na zona de rebaixamento e vai terminar a competição com a pior campanha.
Na Ponte Preta, o rebaixamento à Série C já vinha se desenhando desde o ano passado, quando o clube conseguiu escapar da degola. Dessa vez, se repete o fracasso do Paulistão de 2022, quando o time também caiu. O Estadual de dois anos atrás foi o primeiro campeonato da Macaca sob a gestão do presidente Marco Antônio Eberlin, eleito com a promessa de estancar dívidas das gestões anteriores, mas sem apresentar um modelo eficaz para isso. Como consequência, o clube conviveu com sérios problemas financeiros que afetaram a equipe dentro de campo.
Depois da Ponte subir na Série A2 do Paulista em 2023, o técnico Hélio dos Anjos pediu reforços para a disputa da Série B. Deixou o Moisés Lucarelli sem ser atendido e o clube quase caiu no Brasileiro.
Agora, em 2024, depois de um primeiro turno razoável na segunda divisão nacional, a Ponte não se reforçou para a segunda metade da competição apesar dos apelos do técnico Nelsinho Baptista e pagou um alto preço, somando apenas 12 pontos e ocupando a lanterna do returno.

Humilhada nesta Série B em casa por Sport (4 a 0) e pelo rebaixado Ituano (4 a 1), além de ter perdido o Dérbi diante de sua torcida, a Ponte foi vítima de sua desestrutura que se fortalece com a atitude centralizadora de Eberlin.
“A Ponte não vai cair”, repetiu várias vezes o presidente pontepretano no atual campeonato.
Agora, após o duro golpe, os dois clubes terão de buscar mudanças profundas para a reconstrução. Quem sabe, das cinzas, o futebol campineiro reencontre a força que um dia o fez grande e respeitado.







