A greve dos servidores da área da saúde na Unicamp deve ser mantida pelo menos até o próximo dia 23. A continuidade da paralisação foi anunciada após decisão em assembleia realizada nesta quarta-feira (17), em frente ao Hospital de Clínicas (HC), entre servidores e estudantes. A ação é uma forma de protesto à proposta do governo do estado de autarquização da saúde universitária.
A Unicamp afirma que, apesar do anúncio da greve, o serviço não foi afetado. Por outro lado, o sindicato da categoria garante que cerca de 30% dos servidores da saúde aderiram à paralisação.
A polêmica se estende desde o início da semana em meio a manifestações de servidores e estudantes, que por duas vezes nesta terça-feira (16) paralisaram reuniões consecutivas do Conselho Universitário (Consu) para a votação da proposta da autarquização.
A primeira interrupção aconteceu pela manhã, quando representantes de movimentos estudantis, do Sindicato dos Servidores da Unicamp (STU) e entidades sociais invadiram a sala do Conselho, que fica ao lado do prédio da Reitoria, impedindo a continuação da sessão.
A reitoria decidiu promover uma reunião on-line, no período da tarde, desta vez numa sala da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp). Só que o prédio foi novamente tomado por manifestantes e a reunião teve, outra vez, de ser suspensa.
Durante o ato, manifestantes afirmaram que o acesso à sessão estaria restrito e protestaram contra o que classificam como falta de diálogo sobre o futuro do complexo de saúde da Unicamp. Gritos de ordem contrários à autarquização marcaram o momento da interrupção dos trabalhos.
O projeto propõe a transformação da área da Saúde, que hoje integra a estrutura administrativa e orçamentária da Unicamp, em uma nova autarquia – que seria chamada de Complexo de Saúde da Unicamp.
Pela proposta, a autarquia passaria a ser vinculada à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo para fins administrativos e orçamentários, semelhante aos modelos já consolidados nas Faculdades de Medicina da USP e da Unesp (Botucatu).
A mudança, projeta a Unicamp, busca aliviar custos da universidade e garantir recursos. “Nós temos a clareza da importância da proposta e vamos estudar a melhor forma de encaminhar o processo. Ele não termina aqui”, garantiu o reitor da Unicamp Paulo Cesar Montagner.
Por outro lado, o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) vê prejuízos na proposta. “A autarquização vai precarizar o trabalho para os funcionários e piorar a situação do hospital”, afirmou José Luís Pio Romeira, diretor do STU. O sindicato também alega riscos de privatização e terceirização, o que comprometeria o caráter público do atendimento em sua avaliação.
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