O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) solicitou reunião urgente com o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), para discutir a vulnerabilidade de agentes que enfrentam facções e propor medidas técnicas e legais de proteção. O objetivo é evitar ataques como o que vitimou, na semana passada, o ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, em Praia Grande, na Baixada Santista.
Segundo a entidade, Tarcísio fez “promessas de campanha de valorização da Polícia Civil”, que incluem a nova Lei Orgânica da instituição. Elas estarão na pauta do encontro solicitado via ofício, na última quarta-feira (17).
Para o Sindicato, a execução de Fontes escancarou, para todo o Brasil, “a forma precária como os policiais civis paulistas, da ativa e aposentados, são tratados pelo Estado, bem como a necessidade imediata de fortalecimento da Polícia Civil, responsável, majoritariamente, pela investigação de organizações criminosas”.
Fontes, enquanto delegado na ativa, foi um dos expoentes no País no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e, por isso, desde 2006, era jurado de morte pela facção.
No documento endereçado ao titular do Palácio dos Bandeirantes, o Sindpesp elenca exemplos da “falta de preocupação do governo paulista com os profissionais da Segurança Pública e do desrespeito, por parte do Estado, à Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis (14.735/2023)”.
Uma das situações citadas é a não aplicação, em âmbito local, de norma legal federal que assegura a possibilidade de doação de armas de fogo a policiais inativos, como destaca Jacqueline Valadares, presidente do Sindicato:
“Profissionais que se aposentam da Polícia Civil bandeirante, a exemplo do doutor Ruy (Ferraz Fontes) e de tantos outros policiais com pública atuação contra o crime organizado, sequer têm uma arma de fogo para se protegerem, a não ser que invistam no armamento com recursos próprios. Muito menos podem dispor de escolta armada. A verdade é que são abandonados à própria sorte”, destaca.
No ofício, o Sindpesp lembra da promessa de campanha de Tarcísio, nas eleições de 2022, de modernizar a Polícia Civil, passando pela progressão das carreiras e pela valorização dos profissionais, inclusive com melhores salários – o que, até o momento, não ocorreu.
Na quarta-feira (17), o Governo de São Paulo respondeu ao Sindpesp sobre o ofício, dizendo que as demandas “estão em análise”. Ao mesmo tempo, relatou à entidade que foi “necessário postergar pedido de reunião” com Tarcísio, “devido à extensa agenda do governador, em decorrência de obrigações que exigem sua dedicação no momento”.
Com informações do Sindpesp







