A onda de calor que teve força até este sábado para provocar muitos impactos negativos na região foi responsável por mais um grande incêndio em Campinas. Desde a última quinta-feira, milhares de moradores do distrito do Campo Grande convivem com os desdobramentos de um imenso foco na Fazenda Suzano, onde a companhia mantém o cultivo de eucaliptos.
As dimensões do megaincêndio impediram o seu rápido controle pelos gestores da fazenda, mas lideranças populares avaliaram que houve negligência no caso. Para eles, seria preciso uma unidade do Corpo de Bombeiros no distrito para rápida ação em casos de emergência, além de uma força de brigadistas da Suzano capaz de impedir o alastramento das chamas.
Nas redes sociais, moradores postaram vídeos e fotos mostrando o avanço das chamas próximo às residências. Eles reclamaram também da fuligem que impregnou casas e comércio e da dificuldade de respirar em razão da grande quantidade de fumaça que se espalhou pelo entorno.
“Sou até acostumado a apagar fogo, mas desta vez enfrentei sintomas de rinite, coisa que nunca tive. Está muito ruim para respirar”, afirmou Marcos de Oliveira, responsável pelo Coletivo Campo Grande em Ação, que reúne ativistas em defesa do distrito.
Ele argumenta que já levou à Prefeitura de Campinas denúncias sobre o procedimento de queima controlada da Suzano, já que, de acordo com Marcos, o fogo “reacende com o vento” e acaba criando um ciclo vicioso dos processos de manejo dos eucaliptos e de sobras do plantio (palhadas e galhadas).
Um dos principais bairros afetados foi o Jardim Rossin.
No final da tarde, era possível avaliar a extensão do incêndio em razão de um vídeo feito na Rodovia dos Bandeirantes. Nele era possível observar que a fumaça avançou na estrada, dificultando a visibilidade dos motoristas.
O Hora Campinas não conseguiu contato com representantes da Fazenda Suzano para se posicionarem sobre o incêndio. Assim que houver resposta, será adicionada à reportagem.
Na Rua Antonio Carlos de Merlo, no Jardim Rossin, moradores usaram baldes para apagar o incêndio que cruzou as cercas da fazenda em direção a outros terrenos e construções. Veja abaixo:
Entre quinta-feira e sexta, o estado contabilizou mais de 2,3 mil focos de incêndio, número sete vezes maior do que o registrado em todo o mês de agosto do ano passado e muito acima dos estados que fazem parte da Amazônia Legal, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
De acordo com o governo estadual, 36 cidades sofrem com baixa umidade do ar e elevado risco devido à onda de calor.
Nos últimos dois dias, por conta da escalada do fogo, uma grande cortina de fumaça alcançou as cidades da RMC. O fenômeno transformou o entardecer numa espécie de “fog londrino”. Ao contrário de nevoeiro, era a fumaça mesmo, reforçada pelo alaranjado do sol.

Tempestade de areia
Além do megaincêndio, o sábado do campineiro terminou com uma grande ventania e uma tempestade de areia, ambas resultado da chegada da frente fria às cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC). A previsão é que o domingo seja de clima ameno e chuva fraca.
O fotojornalista dp Hora Campinas, Leandro Ferreira, percorreu parte do Centro da cidade de carro e observou uma grande nuvem de poeira avançando sobre o cinturão de edifícios da metrópole.
A Defesa Civil de Campinas registou rajadas de vento de 75,9 km/h por volta das 16h25, na região do Aeroporto Internacional de Viracopos, com relato de um fenômeno chamado “poeira soprada”, que é quando o vento promove a suspensão de areia, poeira e particulado do solo.
A cena podia ser vista da Rodovia Heitor Penteado e da Avenida Campos Salles, sentido bairro-Centro. Veja vídeo abaixo:







