O presidente dos Estado Unidos, Donald Trump, dedicou a maior parte do seu discurso, durante a abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (23), para exaltar feitos de seu governo e criticar a atuação das Nações Unidas. “A ONU tem grande, grande potencial. Mas não está nem perto desse potencial”, disse.
Segundo Trump, seu governo encerrou um total de sete conflitos envolvendo, dentre outros países, Camboja, Tailândia, Kosovo, Sérvia, Congo, Ruanda, Paquistão, Índia, Irã, Egito, Etiópia e Azerbaijão. Afirmou que “todos dizem” que ele deveria ganhar o Prêmio Nobel da Paz por cada uma dessas conquistas.
“É uma pena que eu tive que fazer essas coisas no lugar de as Nações Unidas terem feito. Infelizmente, em todos os casos, as Nações Unidas sequer tentaram ajudar. Em nenhum deles. Encerrei sete guerras, conversei com líderes de cada um desses países e nunca sequer recebi uma ligação das Nações Unidas oferecendo ajuda para finalizar os acordos”, citou.
Em sua fala, Trump ironizou ainda uma escada rolante do prédio da sede da ONU que parou de funcionar quando ele subia e o teleprompter (dispositivo que exibe o script a ser lido) da tribuna que não estaria funcionando quando iniciou seu discurso.
“Tudo o que consegui das Nações Unidas foi uma escada rolante que, na subida, parou bem no meio do caminho. Se a primeira-dama não estivesse em ótima forma, teria caído”, disse.
Brasil
Trump foi o segundo a discursar na Assembleia, logo após o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que fez duras críticas ao governo norte-americano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que pretende se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na próxima semana. Ele teceu elogios ao chefe de Estado brasileiro chamando-o de “homem muito agradável”, com quem teve “uma química excelente” durante breve encontro.
O presidente norte-americano disse que as tarifas aplicadas contra o Brasil e outros países são uma questão de defesa da soberania e da segurança de seu país contra aqueles que “tiraram vantagens por décadas” durante os governos que o antecederam.
“Encontrei o líder do Brasil ao entrar aqui e falei com ele. Nos abraçamos. As pessoas não acreditaram nisso. Nós concordamos que devemos nos encontrar na próxima semana. Foram cerca de 20 segundos. Conversamos e concordamos em conversar na próxima semana”, disse o presidente norte-americano.
Trump acrescentou que Lula “parece ser um homem muito agradável”. “Eu gosto dele e ele gosta de mim. E eu gosto de fazer negócios com pessoas que eu gosto. Quando eu não gosto de uma pessoa, eu não gosto. Mas tivemos, ali, esses 30 segundos. Foi uma coisa muito rápida, mas foi uma química excelente. Isso foi um bom sinal.”
Na avaliação do presidente norte-americano, o Brasil tarifou os EUA “de uma forma muito injusta”, o que levou seu país a aplicar, de volta, as tarifas de 50% contra alguns produtos brasileiros. “Fiz isso porque, como presidente, eu defendo a soberania e os direitos de cidadãos americanos”.
O Brasil, segundo Trump, estaria “indo mal” ao cobrar “tarifas imensas e injustas” dos produtos norte-americanos, além de interferir nos direitos e na liberdade de cidadãos americanos e de outros países “com censura, repressão, e com o uso do sistema judicial como arma”. Na sequência, Trump acenou que o Brasil poderá “se dar bem” caso trabalhe de forma conjunta com os EUA. “Sem a gente, eles vão falhar como outros falharam”, acrescentou.
Desde julho, o governo dos Estados Unidos vem em uma ofensiva taxando produtos brasileiros e tentando interferir nas decisões do Judiciário. O governo brasileiro respondeu afirmando que os Estados Unidos tiveram um superávit junto ao Brasil, nos últimos 15 anos, de mais de US$ 400 bilhões – o que não justificaria a imposição de novas taxas.
Em carta, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, negou que haja censura no Brasil e disse que as decisões da Corte buscam proteger a liberdade de expressão. Ele afirmou ainda que a tarifa de 50% imposta pelo presidente Trump aos produtos brasileiros teve como fundamento uma “compreensão imprecisa dos fatos”. “No Brasil de hoje, não se persegue ninguém”, afirmou o presidente da mais alta Corte brasileira.
(Agência Brasil)







